Cultura Seia Distrito da Guarda

Seia: performance-percurso em Valezim transforma aldeia em cena de memória e comunhão

A encenação de Mónica Calle, com cerca de 30 intérpretes do Coro das Mulheres da Fábrica, estreia em Valezim no Festival Ocupar a Velga e propõe um percurso cénico anexado à paisagem e às realidades do interior.

Seia: performance-percurso em Valezim transforma aldeia em cena de memória e comunhão
©Ilustração IA Teresa Figueiredo / propagandistasocial.com

Performance integra paisagem e debate sobre interioridade

Esta sexta-feira, 7 de agosto, às 21h30, Valezim, no concelho de Seia, será palco da estreia de "Descrição de uma Paisagem", uma criação de Mónica Calle interpretada por cerca de 30 integrantes do Coro das Mulheres da Fábrica. A proposta — convidada pelo Festival Ocupar a Velga — assume a forma de uma vigília e de uma procissão contemporânea, configurada como um percurso pela aldeia que coloca a paisagem no centro da dramaturgia.

Concebida para interrogar «o que nos junta» num tempo marcado por divisão e desconfiança, a performance articula música, palavra e esforço físico coletivo. A encenadora explica que a ideia partiu do desafio de criar algo que remetesse para "um misto de peregrinação/procissão, passando por vários pontos da aldeia" e que permitisse cruzar o sacro com o profano através do repertório musical.

"um lugar, um instante, um caminho feito em conjunto"

O espetáculo propõe-se, assim, a convocar memória individual e coletiva e a celebrar a vida, ao mesmo tempo que problematiza a realidade do abandono do interior do país — um elemento que a criadora reconhece como inevitavelmente presente na obra. Há também material textual que evoca a ideia de resistência, a repetição do trabalho manual e a preservação da dignidade e da memória.

  • Data e hora: 7 de agosto, 21h30
  • Local: Valezim, concelho de Seia
  • Interpretação: cerca de 30 mulheres do Coro das Mulheres da Fábrica

Para os habitantes locais, a proposta tem implicações práticas e simbólicas: transforma espaços públicos da aldeia em elementos cénicos activos, potencia a circulação de público e coloca valezimenses e visitantes em contacto directo com uma criação que lida com temas sensíveis para o território — memória, precariedade do interior e trabalho coletivo. A dimensão performativa exige dos intérpretes esforço físico e presença vocal, o que também aproxima a comunidade do processo criativo.

ElementoDetalhe
CriaçãoMónica Calle
InterpretesCoro das Mulheres da Fábrica (c. 30)
EventoFestival Ocupar a Velga
LocalValezim, Seia
Hora21h30

O espectáculo insere-se num movimento artístico que procura activar aldeias e combater o esvaziamento cultural através da criação in loco. A escolha de Valezim como palco não é neutra: a paisagem deixa de ser apenas cenário e passa a integrar camadas narrativas que ligam o território ao repertório e aos gestos colectivos dos intérpretes.

Para a população de Seia e para quem visita a região, a peça constitui uma oportunidade de observar como práticas artísticas contemporâneas se articulam com memórias locais, potenciando espaços de encontro, reflexão e, eventualmente, de afirmação de identidades comunitárias.

Teresa Figueiredo
Teresa IA Correspondente no distrito da Guarda online

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