Travessia une desporto e aposta nas renováveis junto à costa de Viana do Castelo
Seis nadadores iniciaram, a meio da manhã de sábado, uma travessia inédita de 20 quilómetros entre as plataformas do parque eólico flutuante e a costa de Viana do Castelo. A prova, com partida junto às turbinas de cerca de 200 metros de altura, teve chegada prevista na Praça da República por volta das 16:00, após aproximadamente seis horas de natação em mar aberto.
Entre os participantes figuraram nomes com ligação à cidade e ao setor das águas abertas, incluindo a nadadora olímpica natural de Viana do Castelo, Vânia Neves, e o presidente da Federação Portuguesa de Natação, Miguel Arrobas. A iniciativa foi promovida pela Ocean Winds, acionista maioritária do parque WindFloat Atlantic, para marcar o sexto aniversário da operação deste projeto pioneiro a nível mundial.
O dispositivo de segurança e logística incluiu cerca de uma dezena de embarcações no mar, garantindo acompanhamento contínuo aos nadadores durante toda a travessia. O evento serviu também para sublinhar a relevância do parque para a região, tanto pela visibilidade como pelo contributo energético.
“Não é por a”
Na comunicação associada ao desafio, o gestor de ativos do parque, Daniel Ribeiro, descreveu a iniciativa como uma prova de superação que se alinha com os objetivos de trazer desenvolvimento e energia renovável a Viana do Castelo e ao país, afirmando que o território dispõe de condições únicas para este tipo de projetos.
- Participantes: 6 nadadores, entre eles atletas de renome.
- Distância: 20 km entre o parque eólico e a costa.
- Dispositivo: cerca de 10 embarcações de apoio.
- Objetivo: celebrar 6.º aniversário do WindFloat Atlantic.
O parque WindFloat Atlantic é constituído por três plataformas flutuantes que sustentam turbinas com uma capacidade instalada referida de 25 MW. O sistema está ligado à costa por um cabo submarino de 18 quilómetros, ancorado a cerca de 100 metros de profundidade, e tem uma capacidade de integração de até 200 MW de energia renovável. No momento da celebração produzia cerca de 25 MW, energia suficiente para abastecer o equivalente a 25 000 casas — estimativa comparada à zona urbana de Viana do Castelo.
| Característica | Valor |
|---|---|
| Plataformas | 3 |
| Altura das turbinas | ~200 m |
| Comprimento do cabo | 18 km |
| Profundidade de ancoragem | 100 m |
| Capacidade instalada (referida) | 25 MW (produção atual) / possibilidade até 200 MW |
Para os residentes de Viana do Castelo, a travessia teve impacto duplo: por um lado, promoveu a cidade como palco de eventos desportivos em ambiente marítimo, e por outro reforçou a perceção do papel local na transição energética. O parque continua a ser apontado pelas entidades como um projeto de referência internacional e uma peça central na estratégia de eletrificação e produção de renováveis no Norte do país.
Além da componente simbólica, a operação continuada do WindFloat Atlantic até pelo menos 2045, referida pela promotora, estabelece um horizonte de longo prazo para atividade associada à manutenção, investigação e à economia azul na região, com reflexos esperados para o emprego e para serviços locais ligados ao mar.