Uma intervenção discreta que altera a leitura do miradouro
No miradouro da 7.ª Bateria, em Setúbal, surgiu recentemente uma pequena figura em metal que se integra na paisagem e surpreende quem passa. A obra, representando uma menina com um cravo na mão e outro cravo cravado no cano de um tanque desativado, entrou no espaço público no dia 10 de julho, formando um novo ponto de interesse num dos locais com vista sobre a cidade e o estuário.
A assinatura é do artista que se apresenta como Fulviet — Fulvio Capurso, arquiteto e plástico natural de Turim, com 45 anos e residente em Lisboa desde 2019. A peça, em estilo que mistura street art, urban art e arte de guerrilha, propõe uma leitura simbólica ligada à Revolução dos Cravos e pretende, segundo o autor, tocar a sensibilidade de quem observa.
Contexto e intenções do autor
Fulviet relata que a ligação à cidade remonta a cerca de 20 anos, quando estudou na Politecnico di Torino e fez um ano de Erasmus em Lisboa, tendo conhecido então amigos que viviam em Setúbal. A instalação surge agora por ocasião de uma visita à 7.ª Bateria proposta por um colega artista, Aleksi Gribel, e pretende ser uma intervenção que convida ao jogo e à memória.
“Prefiro intervir de uma maneira que transcenda o tempo e toque a sensibilidade das pessoas. Quero chamar essa criança que temos dentro de nós, que tem vontade de brincar.”
O posicionamento da figura — recortando-se contra o azul do céu e do mar — acrescenta um elemento narrativo ao miradouro e propõe uma nova leitura do património militar desativado que caracteriza aquele ponto panorâmico.
Impacto local e observações práticas
- A intervenção cria um novo motivo de atração para quem visita a 7.ª Bateria.
- Trata-se de uma obra de ocupação efémera na via pública cujo autor não condicionou o acesso ao local.
- A escolha do cravo como símbolo aproxima a peça de uma memória coletiva portuguesa reconhecível.
Para os habitantes de Setúbal, a instalação acrescenta um ponto de interesse cultural acessível a pé e sem custos, potenciando visitas mais atentas ao miradouro. A presença de arte urbana neste tipo de espaços também pode estimular debate sobre conservação, apropriação do espaço público e formas de intervenção artística na cidade.
| Elemento | Dados |
|---|---|
| Autor | Fulvio Capurso (Fulviet) |
| Idade | 45 anos |
| Instalação | 10 de julho |
| Residência | Lisboa (desde 2019) |
Fica a curiosidade sobre a duração da peça e a reação continuada da comunidade: se passará a ser um elemento permanente da paisagem da 7.ª Bateria ou permanecerá como uma intervenção temporária e surpresa para os transeuntes.