A canoagem em Aveiro tem, desde há muitos anos, um rosto ligado à sua recuperação e desenvolvimento: Sérgio Santos. Ao longo de quase 38 anos de vínculo à modalidade, o treinador explica que a sua trajetória começou de forma improvável — sem saber nadar — e acabou por se transformar numa missão pessoal e institucional para reativar e consolidar a prática no Sporting Clube de Aveiro (SCA).
Raiz pessoal e aposta coletiva
O percurso de Sérgio Santos combina experiência desportiva e formação académica: praticou canoagem até aos 18 anos, seguiu para a universidade — onde se formou e se qualificou como professor — e, no regresso a Aveiro, verificou que a secção de canoagem do clube estava desativada. Com outros dirigentes decidiu reinseri‑la na vida do SCA, assumindo responsabilidades técnicas e organizativas que se prolongam até hoje.
Sobre o trabalho e a motivação que o mantêm ligado ao clube, o treinador sintetiza o sentimento que justifica tantos anos de dedicação:
«É um projeto de vida. Um dia destes ainda vou ter uma sala com o meu nome»
Apesar do cansaço que, como em qualquer profissão, surge por vezes, Sérgio sublinha a recompensa imediata quando vê um jovem experimentar o barco pela primeira vez. Nesse momento sente‑se um «velho feliz por estar a fazer alguma coisa».
Impacto local e perspetivas
Para os habitantes de Aveiro, a continuidade de um treinador com conhecimento institucional e técnico traduz‑se em vantagens concretas: manutenção de programas de iniciação, preservação de experiência para treinos mais avançados e possibilidade de criar uma base estável de atletas que possam competir ou integrar projetos escolares e comunitários. A reativação de secções em clubes locais também contribui para a oferta de atividades extracurriculares para jovens e para a dinamização de espaços ribeirinhos e desportivos da cidade.
- Formação: ponto-chave para atrair e manter novos praticantes.
- Continuidade: presença prolongada do mesmo treinador oferece estabilidade.
- Reativação de secções: essencial para oferecer alternativas de ocupação do tempo livre a jovens em Aveiro.
O exemplo de Sérgio Santos evidencia também um desafio recorrente nos clubes locais: a necessidade de conjugar voluntariado, formação técnica e apoios institucionais para manter modalidades menos mediáticas, como a canoagem, vivas e acessíveis à comunidade.
| Ano/Etapa | Evento |
|---|---|
| Início (há cerca de 38 anos) | Primeiro contacto com a canoagem |
| Aos 18 anos | Conclusão da fase competitiva juvenil |
| Após universidade | Regresso a Aveiro e reativação da secção de canoagem do SCA |
Enquanto projeto de vida e instrumento de desenvolvimento local, a canoagem em Aveiro continua a depender de dinâmicas humanas e institucionais. A permanência de figuras com a experiência de Sérgio Santos facilita a transmissão de saber e a criação de oportunidades para novos praticantes — um objetivo que, segundo o treinador, permanece no centro dos seus esforços.