Investigadores da Universidade de Leiria e da Universidade do Oeste continuam a desenvolver a tecnologia iniciada no projeto DBoidS, agora convertida num sistema autónomo de vigilância florestal capaz de operar de forma contínua, 24 horas por dia, sete dias por semana. A evolução técnica decorre em colaboração com o Comando Territorial de Leiria da GNR, que tem participado na validação e adaptação das funcionalidades ao terreno.
Da investigação à operação contínua
O sistema resulta da integração de drones de última geração com uma doca inteligente que permite aterragem automática, recarga das baterias e descolagem sem intervenção humana. A configuração operacional garante que, enquanto um drone vigia uma área, outro permanece a carregar na doca, assegurando assim monitorização ininterrupta da zona coberta.
Segundo os investigadores envolvidos, esta transição representa um avanço face ao protótipo apresentado em junho de 2025, respondendo à necessidade de sistemas que funcionem de forma autónoma e fiável fora do contexto de laboratório.
“Quando apresentámos os resultados do DBoidS, afirmámos que o fim do projeto seria um ponto de partida e não um ponto de chegada. Foi precisamente isso que aconteceu. O interesse demonstrado pelas entidades com quem trabalhámos desde o início, em particular pelo Comando Territorial de Leiria da GNR, motivou-nos a continuar a desenvolver esta tecnologia e a aproximá-la das necessidades reais de quem trabalha diariamente na proteção da floresta. Hoje damos mais um passo importante, ao transformar uma tecnologia desenvolvida em contexto de investigação num sistema autónomo de vigilância permanente”
A colaboração com a GNR tem sido determinante para a validação das funcionalidades em cenários reais e para introduzir melhorias operacionais exigidas por quem enfrenta diretamente a problemática dos incêndios rurais.
Implicações práticas para o distrito
Para as populações e serviços locais, a evolução tecnológica pode significar deteção mais rápida de focos de incêndio e, consequentemente, intervenção mais célere por parte das equipas de combate. A possibilidade de operação contínua reduz a janela temporal em que um incêndio pode crescer sem vigilância aérea, sobretudo em áreas de difícil acesso.
- Continuidade operacional: vigilância 24/7 graças ao alternar de drones em voo e em recarga;
- Autonomia técnica: doca inteligente para pouso, carregamento e descolagem automática;
- Validação local: desenvolvimento ajustado às necessidades do Comando Territorial de Leiria da GNR.
Embora ainda em fase evolutiva, o sistema aproxima-se de uma implementação operacional que poderá ser integrada nas estratégias de prevenção e deteção precoce adotadas por entidades responsáveis pela gestão do risco de incêndio.
| Característica | Descrição |
|---|---|
| Operação | Autónoma, 24 horas por dia |
| Equipamento | Drones de última geração e doca inteligente |
| Parceiros | CIIC (Universidade de Leiria), Universidade do Oeste, Comando Territorial de Leiria da GNR |
A concretização deste tipo de soluções no distrito depende agora da continuidade do trabalho de integração entre equipa científica e forças operacionais, bem como da eventual extensão da tecnologia a áreas prioritárias durante os meses de maior risco.
Para os responsáveis pela proteção civil, autarquias e proprietários de terrenos, a novidade representa uma ferramenta que pode reforçar a capacidade de monitorização e, em última instância, de proteção da floresta e das populações.