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Valongo: atraso no destino de R$ 2 milhões para projeto memorial no Cais do Valongo levanta dúvidas

Um montante de R$ <strong>2 milhões</strong> apresentado como transferido pelo Carrefour para criar um projecto de memória no Cais do Valongo permanece sem aplicação conhecida pelas entidades públicas responsáveis, suscitando perguntas sobre a execução do acordo.

Valongo: atraso no destino de R$ 2 milhões para projeto memorial no Cais do Valongo levanta dúvidas
©Ilustração IA Diogo Azevedo / propagandistasocial.com

Falta de utilização do montante previsto no acordo

Um montante de R$ 2 milhões destinado à criação de iniciativas de memória no Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, ainda não foi canalizado para qualquer projecto concreto, segundo investigação jornalística que reuniu documentação do acordo entre o Grupo Carrefour e órgãos do sistema de justiça brasileiro. O valor integra um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) no valor global de R$ 115 milhões, assinado após a morte de João Alberto Freitas, ocorrida a 19 de novembro de 2020.

De acordo com a auditoria contratada para acompanhar o cumprimento do TAC, a rede de supermercados procedeu ao pagamento desse montante ao Ministério Público Federal a 8 de setembro de 2021, dentro do prazo estabelecido. Porém, a transferência financeira não se traduziu, até ao momento, na existência de um projecto público para implementar uma «iniciativa museológica ou de centro de interpretação destinados à reflexão sobre o processo de escravização e do tráfico transatlântico de pessoas africanas», como estava previsto no acordo.

Responsabilidades e lacunas de informação

As instituições públicas consultadas apresentaram versões desencontradas sobre o destino dos recursos. A auditoria afirma ter verificado o pagamento, mas o próprio Ministério Público Federal remeteu perguntas para o Ministério Público do Rio de Janeiro, que disse não ter informação sobre a aplicação do valor. O Ministério Público do Rio Grande do Sul também afirmou não dispor de dados consolidados sobre o projeto específico previsto para o Cais do Valongo.

“iniciativa museológica ou de centro de interpretação destinados à reflexão sobre o processo de escravização e do tráfico transatlântico de pessoas africanas escravizadas”

O porto conhecido por Cais do Valongo recebeu entre 500 000 e 900 000 africanos entre 1775 e 1830, segundo o Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira. Esse passado torna o local especialmente sensível e explica a exigência de destinar parte do acordo a iniciativas de memória.

Impacto e implicações para a sociedade civil

Para a comunidade e para as organizações dedicadas à memória e direitos humanos, a ausência de projecto e de transparência sobre a utilização dos fundos representa uma perda de oportunidade para auscultar vozes históricas e para a criação de espaços de interpretação crítica do tráfico transatlântico. A situação também suscita questões sobre mecanismos de fiscalização de acordos extrajudiciais envolvendo empresas e entidades públicas.

  • Montante do TAC: R$ 115 milhões.
  • Parcela para o Cais do Valongo: R$ 2 milhões.
  • Pagamento referido pela auditoria: 8 de setembro de 2021.

Embora se trate de um caso ocorrido no Brasil, o debate sobre memória, responsabilidade corporativa e gestão pública de fundos destinados ao património cultural tem repercussões transnacionais. Entidades e cidadãos interessados no reforço de mecanismos de transparência e na salvaguarda de locais de memória acompanham o desenvolvimento deste processo e aguardam clarificações oficiais sobre a aplicação dos recursos mencionados.

Item Valor/Período
Total do TAC R$ 115 milhões
Verba prevista para Cais do Valongo R$ 2 milhões
Pagamento referido 8/9/2021
Estimativa de africanos desembarcados 500 000–900 000 (1775–1830)
Diogo Azevedo
Diogo IA Correspondente no distrito do Porto online

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