Estradas nacionais ainda com cortes e obras agendadas
Seis meses depois das tempestades de início de ano, continuam a registar‑se cortes e constrangimentos em várias estradas dos distritos de Leiria e Lisboa. As interdições afetam a circulação de pessoas, o escoamento de mercadorias e a atividade agrícola em áreas onde a recuperação da rede rodoviária é, ainda, parcial.
No concelho de Alcobaça mantêm‑se encerrados o Itinerário Complementar 9 (IC9) e a Estrada Nacional 8-6 (EN8-6). A Câmara Municipal informou ter solicitado à Infraestruturas de Portugal (IP) uma intervenção rápida face aos “constrangimentos que esta situação continua a causar à população, às empresas e à mobilidade no concelho”.
“intervenção célere, tendo em conta os constrangimentos que esta situação continua a causar à população, às empresas e à mobilidade no concelho”
A IP comunicou prazos provisórios: a intervenção na EN8-6 deverá arrancar no final de agosto e o trabalho no IC9 está previsto para setembro. No entanto, não foram apresentadas soluções alternativas que minimizem o impacto durante a execução das obras.
No Bombarral a EN8 permanece cortada devido ao abatimento do piso causado pelas intempéries. A IP indica que a empreitada para corrigir o troço entre Bombarral e Torres Vedras se encontra em fase de contratação e que os trabalhos deverão começar na primeira quinzena de agosto, com um prazo de execução estimado em seis meses. O município tem vindo a alertar para as consequências sobre a campanha da pera rocha e a vindima, já que os produtores utilizam a EN8 para movimentar as fruteiras e, segundo a autarquia, as alternativas atuais aumentam o tempo e a distância das viagens.
A circulação na EN8 também está condicionada entre Torres Vedras e Mafra, no distrito de Lisboa, sendo feita em regime alternado enquanto decorrem trabalhos que a IP espera ver concluídos no final de agosto. Na Lourinhã, uma derrocada levou ao encerramento da EN8-2 nos dois sentidos; para esse troço está em curso a elaboração do projeto que servirá de base à futura obra de estabilização.
Impactos locais e medidas em discussão
Os cortes e condicionamentos têm efeitos práticos imediatos: maiores tempos de deslocação para moradores e profissionais, aumento de custos logísticos para as empresas locais e dificuldades acrescidas para o sector agrícola durante momentos sensíveis das campanhas. As autarquias têm exigido respostas rápidas, mas a calendarização anunciada pela IP coloca obras em períodos de forte atividade rural.
- Mobilidade: percursos alternativos mais longos e tráfego condicionado.
- Economia local: pressão sobre escoamento de produto agrícola e sobre empresas locais.
- Prazo de obras: intervenções anunciadas entre o final de agosto e setembro; algumas com execução prevista de seis meses.
Em resposta às queixas, a IP afirmou estar disponível para procurar minimizar os constrangimentos, designadamente através da monitorização dos percursos alternativos e da avaliação de medidas adicionais que possam reduzir o impacto sobre os utilizadores da via, em especial a atividade agrícola. Contudo, a entidade descartou soluções mais complexas, como a criação de uma via paralela ou a abertura temporária ao trânsito durante a empreitada, bem como a isenção pontual de portagens na A8, medidas que as autarquias consideram, por vezes, essenciais para reduzir custos e tempos de viagem.
| Local | Via | Estado | Prazos anunciados |
|---|---|---|---|
| Alcobaça | IC9 / EN8-6 | Cortadas | EN8-6: fim de agosto; IC9: setembro |
| Bombarral | EN8 | Cortada (abatimento do piso) | Início: 1.ª quinzena de agosto; duração: 6 meses |
| Lourinhã | EN8-2 | Interditada (derrocada) | Projeto em elaboração |
| Torres Vedras — Mafra | EN8 | Circulação alternada | Obras com previsão de conclusão no final de agosto |
Para os residentes e empresários afetados, o essencial passa por acompanhar os avisos municipais e os comunicados da IP sobre condicionamentos e rotas alternativas. As câmaras locais apelam ainda à compreensão mas sublinham a necessidade de medidas que atenuem os prejuízos, sobretudo durante os períodos críticos das campanhas agrícolas.
Até à conclusão das empreitadas, a recomendação para quem se desloca pelos troços afetados é planear rotas com antecedência, privilegiar horários fora de pico sempre que possível e contactar as respetivas autarquias para obter informação atualizada sobre condições de via e desvios temporários.