A Acampada do Porto desmentiu esta sexta-feira a existência de conversações formais entre o coletivo que mantém a ocupação simbólica de uma praça da cidade e o presidente da Câmara, Pedro Duarte. Em declarações à agência Lusa, Sérgio Bastos, membro do grupo de imprensa da Acampada, afirmou que apenas houve um convite formal inicial por parte do autarca.
Segundo Bastos, as estruturas organizativas da Acampada controlam as redes e não autorizaram contactos institucionais que gerem compromissos do movimento. O porta‑voz sublinhou que, enquanto coletivo organizado de forma horizontal, «não temos nenhum contacto, além do convite formal que ele nos enviou antes».
“As pessoas são livres, a título individual, de conversarem com quem quiserem sobre o que quiserem.”
O representante admitiu, no entanto, que podem existir outras interlocuções à margem, feitas por indivíduos ou por grupos distintos do núcleo da Acampada. “Não o [Pedro Duarte] quero desmentir, mas não está a falar connosco, com o nosso coletivo, estará a falar com outras pessoas a título individual ou outros coletivos”, declarou.
O movimento reafirmou que seguirá as decisões da sua Assembleia Popular, que considera o órgão legitimador das ações e das negociações que o coletivo possa aceitar. Sérgio Bastos frisou que esta assembleia não pretende suplantar instituições democráticas, mas sim reforçar o poder de negociação e pressão do movimento face às autoridades.
Na resposta política, a posição da Acampada sugere um pedido explícito: se o presidente da Câmara pretende estabelecer diálogo com a parte que mantém a ocupação e as assembleias, que o faça com os representantes legitimados pela própria Assembleia Popular, em vez de procurar contactos que possam provocar rutura.
Implicações locais
O episódio evidencia a tensão entre a autarquia e movimentos de habitação no Porto. Para os habitantes e utentes dos espaços públicos, a questão central é saber se haverá canais formais de negociação que permitam resolver impasses relativos a ocupações simbólicas e às reivindicações por habitação. A clarificação sobre quem representa o movimento é também determinante para qualquer avanço nas conversações.
Ficam por apurar os próximos passos da Câmara e se serão estabelecidas reuniões formais com a Assembleia Popular ou se persistirão contactos dispersos com indivíduos e outros coletivos, algo que o núcleo da Acampada rejeita como interlocução válida.
| Actor | Afirmação |
|---|---|
| Acampada do Porto | Não teve contactos formais com a Câmara, apenas convite inicial |
| Pedro Duarte (presidente da Câmara) | Referiu contactos “muito cordiais” com manifestantes |
| Assembleia Popular | Órgão que legitima decisões do movimento |
- Reivindicação: diálogo com a Assembleia Popular.
- Risco: contactos paralelos podem gerar dissonância interna e rutura.
- Para os cidadãos: claridade sobre interlocutores é crucial para avanços negociais.