Obras paralisadas e risco de agravamento das patologias
A administração de condomínio de dois blocos habitacionais situados na Rua Engenheiro Carlos Rodrigues, em Águeda, acusa o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) de ter deixado de pagar quotas que lhe cabem enquanto proprietário da maioria das frações, situação que, segundo a administração, está a impedir o arranque de obras de conservação consideradas urgentes.
Trata-se de dois edifícios com 20 apartamentos cada, com cerca de 40 anos, nos quais o IHRU detém 11 frações por bloco — mais de 50% da permilagem — papel que lhe confere influência determinante nas deliberações das assembleias de condóminos. A administração, que afirma gerir os imóveis desde 2022, diz que as intervenções aprovadas incluem obras de maior dimensão nas fachadas e nas coberturas, financiadas através de quotas extraordinárias recentemente votadas.
Segundo a mesma fonte, o instituto não terá liquidado as quotas ordinárias relativas a 2025 nem as quotas extraordinárias aprovadas, criando uma dívida estimada em cerca de 18 000 euros em cada condomínio. A falta desses montantes impede a contratação das empreitadas e o início dos trabalhos, alerta a administração.
Estado de conservação e impactos para moradores
Entre os problemas descritos pela administração estão destacamentos de betão nas fachadas, armaduras metálicas expostas e degradação das coberturas. Estas anomalias foram relatadas por condóminos e por arrendatários do IHRU, conforme a administração. Se não intervencionadas, as patologias podem agravar-se, aumentar o custo das reparações futuras e afectar a segurança e condições de vida dos residentes.
- Dois blocos com 20 apartamentos cada;
- IHRU com 11 frações por bloco (mais de 50%);
- Dívida estimada: ~18 000 euros por condomínio;
- Problemas identificados: destacamentos de betão, armaduras expostas, telhados degradados.
A administração reporta, ainda, uma contradição nas posições do instituto: apesar de receber comunicações do IHRU a alertar para a necessidade de obras urgentes, o maior condómino não terá cumprido as obrigações financeiras que permitiriam o seu início. Para os administradores, sem o pagamento por parte do IHRU não é possível avançar com intervenções de grande dimensão.
| Item | Valor / Observação |
|---|---|
| Número de apartamentos por bloco | 20 |
| Frações detidas pelo IHRU em cada bloco | 11 (mais de 50%) |
| Idade aproximada dos edifícios | 40 anos |
| Dívida estimada por condomínio | ~18 000 € |
Para os moradores, a situação traduz-se em incerteza sobre prazos e custos, e no prolongamento de problemas que já afectam o conforto e a segurança das habitações. A paralisação das obras coloca também dúvidas sobre a gestão do património público residencial no concelho e sobre os mecanismos que garantem o cumprimento das responsabilidades financeiras por parte de entidades proprietárias.
Perante este quadro, resta saber se o IHRU regulariza os pagamentos e se as intervenções aprovadas serão contratadas em breve. A falta de pagamento das quotas, conforme relatado pela administração, constitui o principal obstáculo ao arranque das obras que os moradores consideram necessárias e urgentes.