Medida visa recuperar faixas agrícolas e reduzir risco de fogo junto às povoações
A Câmara Municipal de Águeda anunciou esta sexta‑feira a intenção de promover a sementeira de milho nos campos que circundam as pequenas aldeias do concelho, com o objetivo de diminuir a progressão de incêndios florestais e recuperar espaços agrícolas abandonados. A iniciativa foi apresentada pelo presidente da autarquia, Jorge Almeida (PSD/MPT), em declarações à Agência Lusa.
Segundo o autarca, a proposta pretende restituir «aquilo que foi a grande segurança dessas povoações durante muito tempo», isto é, faixas agrícolas que, por serem menos inflamáveis, funcionam como soluções de contenção natural. Jorge Almeida reportou ainda uma observação direta durante o grande incêndio que afectou recentemente o concelho:
«O incêndio estava a progredir com uma violência incrível. Chegou a uma área de milho, chamuscou as duas primeiras carreiras e parou imediatamente.»
O município disponibiliza‑se a coordenar as sementeiras, desde que os proprietários cedam os terrenos adjacentes às aldeias. A proposta prevê que o resultado da exploração do milho possa reverter como uma forma de rendimento para esses proprietários, sem necessidade de intervenção estrutural complexa por parte dos agricultores locais.
Entre as vantagens apontadas pela Câmara estão a criação de uma faixa menos propensa a propagar o fogo e a potencial geração de riqueza local. Para clarificar os elementos identificados pela autarquia relativos ao incêndio que motivou a proposta, importa recordar alguns dados oficiais sobre esse fogo:
| Evento | Dados |
|---|---|
| Data de início | 2 de julho |
| Data de domínio | 5 de julho, às 12:40 |
| Área afetada | mais de 15 000 hectares |
| Vítimas | 2 feridos graves e 6 ligeiros |
Para os moradores destas aldeias, a proposta levanta questões práticas e administrativas: quem vai gerir as sementeiras, como serão asseguradas as rendas ou partilhas de produção prometidas e que garantias haverá quanto à manutenção dessas faixas agrícolas ao longo dos anos. A autarquia refere que a implementação depende da disponibilidade dos proprietários em permitir a organização municipal dos terrenos.
- Proteção: o milho é apontado como uma faixa menos inflamável capaz de travar fogo de superfície.
- Rendimento: a produção poderá funcionar como contrapartida económica para os donos dos terrenos.
- Recuperação territorial: pretende‑se requalificar áreas agrícolas abandonadas ou ocupadas por espécies mais perigosas, como eucaliptos.
O anúncio surge no seguimento do incêndio que teve forte impacto no território do concelho e que demonstrou, na avaliação municipal, a eficácia de faixas agrícolas de culturas anuais como barreira. A proposta deverá agora entrar em fases de diálogo com proprietários e técnicos locais para definir locais, responsabilidades e calendário de sementeira, sem que a Câmara tenha ainda divulgado um plano detalhado ou custos associados.
Os próximos passos esperam envolvimento directo dos agricultores e das comunidades rurais, bem como pareceres técnicos que confirmem a viabilidade agronómica e de prevenção de risco. Para muitos habitantes de Águeda, a medida representa uma abordagem prática e de baixo custo para reforçar a defesa das aldeias face a incêndios que têm marcado a região nos últimos anos.