O presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, afirmou esta tarde, no Salão Nobre do Palácio do Governo Regional, que a sobrevivência da Autonomia da Madeira passa pelo envolvimento ativo dos seus cidadãos. A intervenção ocorreu na sessão comemorativa da abertura da I Legislatura da Assembleia Legislativa da Madeira, que juntou ex-parlamentares, familiares e responsáveis locais para evocar os primeiros passos do regime autonómico.
Na cerimónia, Albuquerque valorizou o papel do Parlamento como um dos pilares do regime autonómico, sustentando que é nesse espaço que se constrói “a vontade plural do nosso povo”. Ao mesmo tempo, o presidente regional deixou um alerta sobre as vulnerabilidades que a democracia enfrenta no presente, apontando para ameaças que, disse, se manifestam também pela manipulação emocional nas redes sociais e noutras formas contemporâneas de comunicação.
“A autonomia da Madeira só continuará a ser viável se os madeirenses e os porto-santenses a quiserem defender.”
O governante qualificou como uma “grande honra” participar na homenagem aos primeiros obreiros da Autonomia, alguns dos quais ainda presentes no salão. Recordou a «vontade indómita de ser livre» que, segundo ele, tem orientado povos ao longo da história na busca pela capacidade de decidir o seu destino dentro de um quadro jurídico e comunitário.
Memória e presente
A sessão incluiu testemunhos sobre os primeiros tempos da Autonomia. João Cunha e Silva, presidente da Estrutura de Missão dos 50 anos da Autonomia, evocou o início do percurso institucional, lembrando a participação de jovens e técnicos que integraram os primeiros corpos administrativos após a consagração do regime. O momento procurou ligar a memória institucional às responsabilidades actuais, sublinhando a necessidade de manter activa a defesa do estatuto autonómico.
- Local: Salão Nobre do Palácio do Governo Regional
- Ocasião: Sessão comemorativa da Abertura da I Legislatura
- Enfoque: Defesa da Autonomia e alertas sobre a pressão sobre a democracia
As palavras de Albuquerque reflectiram preocupações comuns em discursos públicos sobre o futuro da governação democrática na Europa e em outras regiões, onde factores como desinformação e polarização são frequentemente apontados como riscos. Na sua intervenção, o presidente recusou narrativas messiânicas que prometam soluções fáceis, defendendo antes a responsabilização cívica e a participação plural como garantias de estabilidade do regime.
Intervenientes e funções
| Interveniente | Função |
|---|---|
| Miguel Albuquerque | Presidente do Governo Regional |
| João Cunha e Silva | Presidente da Estrutura de Missão dos 50 anos da Autonomia |
Para os habitantes da Região Autónoma da Madeira, a sessão serve não só como acto de memória institucional, mas também como chamada à acção cívica. O apelo lançado hoje reforça a ideia de que a preservação do estatuto autonómico depende de um compromisso contínuo das comunidades locais — um argumento dirigido tanto à geração que viveu os primeiros anos da Autonomia como às novas gerações chamadas a prosseguir esse legado.