Assembleia extraordinária debate responsabilização política
A Assembleia Municipal de Almada reúne em sessão extraordinária esta terça-feira para apreciar uma moção de censura apresentada pelo PSD contra o executivo liderado por Inês de Medeiros. A sessão, prevista para as 21h00, terá lugar na sala Pablo Neruda, no Fórum Romeu Correia, e tem um ponto único na ordem de trabalhos: a apreciação da moção que responsabiliza a autarquia pelas recentes falhas no abastecimento de água no concelho.
Os problemas de abastecimento, com especial incidência na Costa da Caparica, motivaram já a declaração do estado de alerta pela Câmara Municipal e a adoção de medidas de gestão da rede, incluindo cortes noturnos programados em determinadas zonas e a proibição de usos da água que não sejam domésticos ou essenciais.
- Data da sessão: 21 de julho, 21h00, Fórum Romeu Correia
- Motivo: falhas sucessivas no abastecimento de água que afetaram milhares de famílias e sectores económicos, nomeadamente restauração e hotelaria
- Iniciativa: moção de censura apresentada pelo PSD
O presidente da Comissão Política Concelhia do PSD de Almada, o também vereador Paulo Sabino, afirmou que a origem do problema reside na falta de planeamento e investimento. Em declarações à Agência Lusa, Sabino frisou a responsabilidade política do executivo municipal:
"não houve planeamento adequado, não se investiu"
Apesar do caráter político da moção, a sua aprovação não tem efeito vinculativo sobre a continuidade do executivo. O PS gere a Câmara em minoria, tendo assinado um acordo de governação com a CDU. A composição actual da Câmara é a seguinte:
| Força política | Elementos eleitos |
|---|---|
| PS | 4 |
| CDU (PCP-PEV) | 3 |
| PSD | 2 |
| Chega | 2 |
Para além do impacto local na rede de abastecimento e nos serviços económicos dependentes de água, o dossier ganhou uma dimensão política acrescida com o envolvimento do Governo: a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, reuniu-se com a presidente da Câmara, conforme fotografia tornada pública, para discutir a situação.
Para os moradores e empresas do concelho as medidas impostas pela autarquia traduzem-se em constrangimentos concretos: cortes programados durante a noite em zonas específicas e limitações ao uso da água que não o doméstico. A continuidade destas restrições e a calendarização de intervenções na rede são questões que a população local acompanhará de perto, bem como os próximos passos políticos resultantes da votação na Assembleia Municipal.
Os desdobramentos políticos e técnicos do problema — entre medidas de emergência, eventuais planos de investimento e a posição das diferentes forças políticas no município — definirão a resposta a curto e médio prazo para garantir estabilidade no fornecimento e minimizar prejuízos às famílias e à actividade económica do concelho.