A nova exposição de António Carrapato, inaugurada em Évora a convite do município, propõe uma leitura visual da relação entre a muralha e o quotidiano do centro histórico. Organizada como se as fotografias estivessem num troço da muralha, a mostra reúne 45 imagens que pretendem revelar memórias, segredos e vivências inscritas no tecido urbano.
Conceito e percurso do autor
Partindo da ideia de que a muralha é mais do que um elemento físico — tornou-se numa presença entrelaçada com a cidade —, Carrapato procura “resgatar” momentos em que a separação entre pedra e vida humana se dissolve. O autor utiliza jogos de cor, formas e insólitos para destacar coincidências e ironias subtis no contacto entre as pessoas e a envolvente construída.
"Não obstante as suas dimensões, a muralha de Évora quase que se tornou invisível, no sentido em que se introduziu e se entrosou de tal forma no tecido humano da cidade que em certos momentos não há destrinça entre ambos"
Natural de Reguengos de Monsaraz (n. 1966), Carrapato iniciou a carreira nos anos 90 com trabalho jornalístico para títulos como o Público, mantendo simultaneamente um percurso autoral. Estudou fotografia no Ar.Co e integra coleções de arte contemporânea, entre as quais a da Fundação PLMJ.
Visita e informação prática
A exposição estará patente até 13 de novembro, de segunda a sábado, das 9h30 às 12h30 e das 14h00 às 18h00, com entrada livre. A apresentação em sala foi pensada para que as imagens sejam percorridas como se o visitante caminhar pelo troço de muralha que abraça o centro histórico de Évora.
- Autor: António Carrapato (Reguengos de Monsaraz, 1966)
- Obras: 45 imagens, organizada como uma sequência muralhada
- Período de visita: até 13 de novembro, segunda a sábado
- Horário: 9h30–12h30 e 14h00–18h00
- Entrada: livre
Para os habitantes e visitantes de Évora, a mostra oferece uma oportunidade de ver a cidade sob um olhar que combina memória e contemporaneidade. Ao focar a ligação entre a muralha e a vida quotidiana, a exposição convida a uma reflexão sobre a preservação do património e sobre a forma como os espaços históricos continuam a moldar — e a ser moldados por — as práticas sociais locais.
| Item | Informação |
|---|---|
| Artista | António Carrapato |
| Obras | 45 imagens |
| Período | Até 13 de novembro |
| Horário | Seg–Sáb 9h30–12h30 / 14h00–18h00 |
| Entrada | Gratuita |
Em termos práticos, a organização em sala e o conceito de “diálogo” entre muralha e habitantes tornam a exposição particularmente acessível a públicos diversos — desde moradores interessados na história local até turistas que procuram compreender a cidade para além dos monumentos mais conhecidos.