Decisão da Assembleia Municipal
Na madrugada de 22 de julho, a Assembleia Municipal de Almada rejeitou a moção de censura apresentada pelo PSD contra a presidente da Câmara, Inês de Medeiros. A votação registou o voto contra do PS, da CDU e do Livre; a abstenção do BE; e os votos a favor do PSD, da IL e do Chega. A discussão estendeu-se por várias horas e só terminou já madrugada dentro.
Motivações e acusações
O deputado municipal do PSD, Luís Durão, sustentou a moção com uma série de críticas centradas na gestão do abastecimento de água, lembrando episódios recentes de rutura de fornecimento que afetaram a Costa da Caparica, a Charneca e outras zonas do concelho. Durão disse que a moção resultava de uma "acumulação de falhas" em nove áreas consideradas essenciais para o município: água, proteção civil, habitação, higiene urbana, energia, fiscalidade, escolas, centros de saúde e o crescimento descontrolado de bairros de barracas.
"Começamos pelo capítulo mais recente, a crise do abastecimento de água... no final de junho, a água já começa a faltar aos almadenses" — Luís Durão
Durante a sessão, estiveram presentes munícipes e a sala Pablo Neruda, no Fórum Romeu Correia, atingiu lotação esgotada, com dezenas de pessoas à espera no exterior.
Resposta do executivo
A presidente da Câmara respondeu às acusações, afirmando que a falta de água não resultou de fugas nem exclusivamente de insuficiências infraestruturais e assumiu a necessidade de modernizar o sistema de abastecimento no concelho. A argumentação do executivo procurou demonstrar que as medidas adotadas vieram mitigar a situação, embora a ativação do Plano de Contingência apenas tenha ocorrido a 6 de julho e a declaração de situação de alerta a 8 de julho, segundo a exposição feita pelos social-democratas.
Votos e impacto político
O resultado da votação consolida, na prática, a estabilidade do atual executivo municipal. Para muitos habitantes, a decisão tem repercussões concretas, porque a governação local será chamada a responder às preocupações sobre o abastecimento de água e às outras áreas apontadas na moção.
- Data da votação: 22 de julho
- Locais afetados mencionados: Costa da Caparica, Charneca e resto do concelho
- Principais partidos na votação: PS, PSD, CDU, BE, Livre, IL, Chega
| Votos | Partidos |
|---|---|
| Contra | PS, CDU, Livre |
| Favor | PSD, IL, Chega |
| Abstenção | BE |
Além do carácter político imediato, a sessão expôs a frágil perceção pública sobre a gestão de serviços essenciais. A evolução da situação do abastecimento de água e as medidas concretas de renovação das infraestruturas e de planeamento serão determinantes para a confiança dos residentes e para a expectativa de novas iniciativas por parte da Câmara Municipal.
Os próximos passos incluem o acompanhamento das ações prometidas pelo executivo e a monitorização da situação hídrica no concelho, bem como eventuais iniciativas dos partidos da oposição para manter o tema em discussão pública.