Na última sessão da Assembleia Municipal de Castelo Branco, a coligação SEMPRE por todos (PSD/CDS-PP) voltou a questionar a intenção de instalar uma residência temporária — com ênfase na componente estudantil — no espaço previsto para o novo Mercado Municipal. O debate centra-se na compatibilização entre a vocação comercial do mercado e a necessidade de aumentar a oferta de alojamento para estudantes e profissionais.
O deputado municipal João Delgado defendeu que a opção proposta não "serve plenamente nenhum dos dois objetivos", apelando ao Presidente da Câmara para repensar a solução. Delgado sublinhou que é preciso clarificar funções e evitar "uma mistura ambígua" que possa comprometer tanto o mercado como as residências.
"Precisamos de um Mercado que funcione e de residências que funcionem. Não de uma mistura ambígua entre ambas, que tira potencial a cada um dos projetos"
Na sua intervenção, o deputado reconheceu que qualquer aumento da oferta de alojamento temporário é positivo, mas frisou a necessidade de uma visão estratégica. Recordou ainda que o Instituto Politécnico de Castelo Branco está a ampliar a sua capacidade de residências através de fundos do PRR, e que o município deveria acompanhar esse esforço com projetos próprios de maior escala.
Foram mencionados dois projetos concretos considerados prioritários: a anunciada transformação da antiga Residencial Arraiana em alojamento para estudantes e profissionais de saúde e a requalificação da Residência Calouste Gulbenkian, actualmente encerrada. Estes empreendimentos foram apontados como peças-chave para reforçar a atratividade de Castelo Branco face a jovens que procuram alternativas às grandes cidades.
- Aproveitar a vantagem competitiva de custos face a centros como Lisboa e Porto.
- Articular investimentos públicos (município) com iniciativas do Instituto Politécnico.
- Evitar soluções que comprometam a funcionalidade de equipamentos públicos.
A discussão na Assembleia surge no contexto de preços médios elevados de alojamento em grandes centros urbanos, onde os quartos para estudantes ultrapassam os 500 euros mensais, segundo referência utilizada pelo deputado. Para além da dimensão económica, a opção entre integrar residências no Mercado ou promover projectos autónomos levanta questões práticas sobre gestão, ruído, segurança e utilização do espaço público.
Impacto local
Para os habitantes e estudantes de Castelo Branco, a escolha do modelo terá efeitos diretos no acesso a alojamento acessível, na dinâmica do comércio local e na utilização de um equipamento municipal central. A oposição à solução mista na Assembleia pressiona o executivo a clarificar prioridades e calendários para as intervenções na Arraiana e na Gulbenkian.
| Projeto | Estado referido |
|---|---|
| Residencial Arraiana | Anunciada transformação em residência para estudantes e profissionais de saúde |
| Residência Calouste Gulbenkian | Encerrada há vários anos, proposta requalificação |