Uma associação empresarial regional chamou esta semana a atenção para o efeito imediato dos aumentos dos combustíveis nos custos de exploração das empresas de Trás‑os‑Montes e Alto Douro, apelando a medidas governamentais para atenuar a pressão sobre sectores-chave, como o transporte, a agricultura, o comércio e o turismo. A posição foi tornada pública em comunicado da NERVIR, que representa micro, pequenas e médias empresas da região.
Impacto direto nas empresas do interior
Segundo a associação, os recentes aumentos do gasóleo e da gasolina têm um efeito transversal: agravam os custos de contexto das empresas e comprometem a competitividade, sobretudo das firmas de menor dimensão, para as quais a mobilidade rodoviária é muitas vezes essencial e as alternativas de transporte são limitadas.
“Está a agravar os custos de contexto das empresas e a comprometer a competitividade da economia nacional, em particular das micro, pequenas e médias empresas da região de Trás‑os‑Montes e Alto Douro.”
Para além do acréscimo nos custos de produção e distribuição, a NERVIR sublinha que a subida dos preços dos combustíveis se soma já a outros factores de pressão — energia, matérias‑primas e serviços — e pode traduzir‑se em margens mais apertadas, menor capacidade de investimento e eventual repasse de custos para os consumidores.
- Setores afetados: transportes, comércio, indústria, agricultura, turismo e serviços;
- Consequências apontadas: aumento dos custos de operação, redução de margens, risco de perda de competitividade;
- Medidas solicitadas: revisão da carga fiscal sobre combustíveis, apoios a empresas dependentes do transporte rodoviário, incentivos à eficiência energética e renovação de frotas.
Preços de referência
O comunicado da NERVIR cita preços médios atuais e de janeiro como referência para a evolução dos custos:
| Produto | Preço atual (€/L) | Preço em janeiro (€/L) |
|---|---|---|
| Gasóleo simples | 1,960 | 1,533 |
| Gasolina simples 95 | 1,972 | 1,661 |
Com base nesses valores, a associação alerta que a persistência desta trajectória de aumento poderá ter efeitos duradouros sobre a capacidade de investimento das empresas e sobre os preços ao consumidor.
A NERVIR afirma que acompanhará a evolução dos preços e manterá o diálogo com entidades governamentais, propondo mecanismos que atenuem a carga fiscal e medidas específicas de apoio às empresas mais dependentes do transporte rodoviário, bem como políticas de incentivo à eficiência e renovação de frotas.
Para as empresas do distrito de Vila Real e das zonas rurais limítrofes, qualquer alteração significativa nos custos dos combustíveis traduz‑se rapidamente em decisões de gestão — desde a renegociação de preços com fornecedores até à revisão de rotas e da operação logística — pelo que as propostas da associação pretendem reduzir o risco de compactação de actividade económica na região.