Pressão crescente sobre a linha telefónica de triagem do Serviço Nacional de Saúde
Um estudo da Entidade Reguladora da Saúde (ERS), intitulado "O impacto do projeto 'Ligue Antes, Salve Vidas' no acesso a cuidados de saúde", mostra um agravamento acentuado nos tempos de espera para atendimento na Linha SNS24. Entre 2024 e 2025, o número de chamadas com espera superior a 30 minutos subiu de 58.525 para 466.751, ou seja, quase dez vezes mais.
O relatório associa este aumento a um crescimento global das chamadas na ordem dos 60% no mesmo período. Em consequência, a procura reforçada pelo serviço não foi acompanhada por um reforço equivalente da capacidade de resposta, deixando «quase meio milhão de utentes» sujeitos a demoras que, em situações de urgência ou ansiedade, podem ter impacto relevante na experiência e nos desfechos de saúde.
Consequências operacionais e para os utentes
Os dados revelam um desfasamento entre procura e recursos. A Linha SNS24 foi pensada para agilizar o acesso aos cuidados e orientar casos que não exigem deslocação imediata a serviços presenciais. Quando o tempo de espera se alonga, perde-se essa função triadora, e aumenta a probabilidade de utentes recorrerem diretamente a urgências hospitalares ou serviços de emergência, pressionando ainda mais o sistema.
- Maior risco de sobrecarga em serviços de urgência se a triagem telefónica falhar.
- Impacto na equidade – tempos de espera prolongados afetam mais quem tem menos recursos ou menor literacia em saúde.
- Necessidade de reforço de meios humanos e tecnológicos na SNS24 para responder à procura acrescida.
Dados essenciais
| Ano | Chamadas com espera > 30 min |
|---|---|
| 2024 | 58.525 |
| 2025 | 466.751 |
O aumento nas chamadas (+~60%) e a consequente subida das esperas colocam em debate a capacidade de planeamento e investimento na solução telefónica do SNS. A ERS sublinha, pelo menos implicitamente, que intervenções de reforço operacional — desde recrutamento e formação de operadores a melhorias tecnológicas e de triagem automatizada — são necessárias para evitar que a finalidade original da linha se perca.
Para além das medidas imediatas de gestão, este fenómeno suscita questões mais amplas sobre a acessibilidade e resiliência do sistema nacional de saúde face a variações súbitas na procura por serviços de orientação e triagem. A evolução destes indicadores deve ser acompanhada com atenção por autoridades de saúde e decisores políticos, para garantir que a ferramenta telefónica cumpra o papel de reduzir iniquidades e aliviar a pressão sobre os cuidados presenciais.