A Câmara Municipal de Braga declarou esta semana que a principal prioridade em matéria de mobilidade é a execução da Circular Rodoviária Externa. O tema esteve no centro da reunião do executivo, onde o presidente municipal defendeu a urgência do avanço desta via, deixando para um plano subsequente a ligação a Guimarães por BRT (autocarro de alta capacidade que funciona como metro de superfície).
Debate sobre prioridades e alternativas
O anúncio gerou intervenções de diferentes grupos políticos no executivo. Rui Rocha, da Iniciativa Liberal, questionou a opção pelo BRT, lembrando o anúncio governamental recente de que o corredor BRT avançaria até às Taipas (Guimarães) e defendendo que a ligação ferroviária seria preferível. O vereador do PS, Pedro Sousa, reiterou a posição do partido contra o BRT desde as últimas autárquicas, defendendo igualmente a opção pela ferrovia.
"Há uma grande urgência no avanço da Circular, e, a seguir, queremos uma ligação a Guimarães por BRT e a sua continuação até à futura estação do comboio de alta velocidade", declarou o presidente da Câmara.
Durante a reunião, o presidente João Rodrigues ironizou sobre as preferências por ligações alternativas: embora reconheça a preferência de alguns vereadores por soluções ferroviárias, salientou a necessidade de conhecer os custos reais antes de escolhas definitivas.
Financiamento e dimensão regional
No debate foram também evocados números de financiamento que, segundo apontaram alguns autarcas, colocariam o distrito de Braga em posição inferior face ao Porto: foi referido que o Porto terá recebido cerca de mil milhões de euros para mobilidade, enquanto, segundo a intervenção de Rui Rocha, Braga teria obtido cerca de 80. Estas comparações sublinham a exigência de maior coordenação entre os municípios do distrito e de uma reivindicação conjunta junto do Governo.
- Prioridade assumida: Circular Rodoviária Externa.
- Opção subsequente: ligação a Guimarães por BRT, com ligação futura à estação de alta velocidade.
- Controvérsia: preferência entre BRT e ferrovia e questões sobre custos e financiamento.
Para os habitantes, a decisão sobre a Circular e sobre corredores de alta capacidade entre cidades vizinhas terá impacto direto nos tempos de deslocação, na acessibilidade a empregos e serviços e na distribuição do tráfego dentro da malha urbana. A urgência invocada pela Câmara aponta para um calendário de trabalho político e técnico a curto prazo, mas a definição final do traçado, do modo de transporte e das fontes de financiamento dependerá também de decisões nacionais e de estudos de custo-benefício aprofundados.
| Item | Estado na reunião |
|---|---|
| Circular Rodoviária Externa | Prioridade |
| Ligação a Guimarães | BRT proposta; alternativa ferroviária defendida por alguns vereadores |
| Financiamento (referido) | Comparação: 1 000 milhões (Porto) vs 80 (Braga) — conforme intervenção |
A perspetiva local exige agora que o município avance com projectos executivos e análises técnicas que permitam esclarecer prazos, custos e impactos ambientais e urbanos. Ao mesmo tempo, o apelo à unidade dos concelhos do distrito para reivindicar maior investimento público foi deixado como um desafio político que poderá determinar a viabilidade e a velocidade de execução destas infraestruturas.