Subida marcada nas candidaturas coloca pressão sobre respostas do sistema
Na 1.ª fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior foram entregues 60.391 candidaturas, o número mais elevado desde meados da década de 1990, excluindo os anos excepcionais da pandemia de Covid-19. Os dados, divulgados pela Direção-Geral do Ensino Superior e tornados públicos pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação, traduzem um aumento de quase 22% face às 49.595 candidaturas registadas na 1.ª fase de 2025.
Este crescimento coloca novas exigências sobre universidades e politécnicos, tanto no planeamento das vagas como na logística de colocação e gestão de cursos com elevado número de concorrentes. O total poderá ainda aumentar: durante a sexta-feira foram processados os pedidos de reapreciação das provas, cerca de 20.000, cujos resultados podem dar origem a novas candidaturas ou alterações às já submetidas, num prazo de três dias a contar da publicação das notas revista.
- 60.391 candidaturas na 1.ª fase de 2026;
- 49.595 candidaturas na 1.ª fase de 2025;
- 20.000 pedidos de reapreciação cuja divulgação pode influenciar a 1.ª fase.
Segundo o Ministério, entre os 1.519 pares instituição/curso que podiam exigir apenas uma prova de acesso, 1.330 optaram por essa opção única, uma decisão que busca clarificar e uniformizar critérios de entrada em muitos cursos.
"Não há notas 'suspenso', a nota que há é de 1 a 20, e isso é muito positivo", afirmou Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas.
O ministro da Educação, Fernando Alexandre, referiu que as reapreciações estavam a ser distribuídas e que, apesar de problemas iniciais, os serviços se mobilizaram para garantir «o rigor da avaliação externa» e defender os direitos dos alunos. A divulgação dos resultados finais da 1.ª fase está marcada para 23 de agosto.
Para contextualizar, o último registo superior a este, fora dos anos de pandemia, remonta a 1996, ano em que foram contabilizadas 68.797 candidaturas na 1.ª fase. A comparação histórica sublinha que o atual aumento não é apenas sazonal, mas parte de uma variação que terá repercussões na oferta formativa e nas políticas de planeamento das instituições de ensino superior.
| Ano | Candidaturas 1.ª fase |
|---|---|
| 1996 | 68.797 |
| 2025 | 49.595 |
| 2026 | 60.391 |
O aumento de candidaturas levanta questões práticas — desde a capacidade de acolhimento nos cursos mais procurados até à necessidade de alargar vagas ou rever critérios de seleção. Instituições e tutela terão de cooperar para mitigar desequilíbrios regionais e por áreas de estudo, assegurando que o aumento do interesse se converta em respostas estruturadas e equitativas para os novos estudantes.