A antiga Casa das Sementes, edifício recentemente transferido pela Estamo para a Câmara Municipal de Évora, surge como solução para uma carência estrutural: a falta de espaço do Arquivo Distrital e a necessidade de uma nova sede para o Arquivo Municipal. A hipótese foi tornada pública por Jorge Janeiro, subdiretor‑geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, após o 3.º Encontro Transfronteiriço de Arquivos realizado em Vila Viçosa.
Capacidade atual versus necessidade documentada
O Arquivo Distrital de Évora tem vindo a confrontar‑se com limitação progressiva de capacidade de armazenamento. Segundo Jorge Janeiro, apesar dos esforços para otimizar arrumações — que já permitiram ganhar “mais de um quilómetro” de prateleiras — a expansão dos fundos arquivísticos ultrapassa a capacidade disponível.
"Se começarmos aqui a juntar toda a documentação dos organismos públicos só do distrito de Évora, provavelmente ultrapassaremos os 40 a 50 quilómetros."
O responsável acrescentou que apenas a documentação da CCDR Alentejo corresponde a uma estimativa superior a 20 quilómetros lineares, o que ilustra a dimensão do desafio e a urgência de novas infraestruturas.
- Problema: Arquivo Distrital próximo do limite de capacidade.
- Proposta: instalar o Arquivo Municipal na Casa/Fábrica das Sementes.
- Ambição: avaliar se o mesmo imóvel pode receber também o Arquivo Distrital.
| Item | Valor (estimado) |
|---|---|
| Ganho com arrumações | +1 km |
| Documentação total distrito (estimativa) | 40–50 km |
| Documentação CCDR Alentejo | >20 km |
A proposta partiu do presidente da Câmara, Carlos Zorrinho, que informou ter recebido da Estamo o imóvel referido como "Fábrica das Sementes" e colocou‑o à disposição para instalar o Arquivo Municipal. A Direção‑Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas está agora a estudar a viabilidade técnica e funcional de a mesma infraestrutura acolher igualmente o Arquivo Distrital de Évora.
Para os habitantes e organismos locais, a decisão tem implicações práticas: a consolidação de fundos documentais numa infraestrutura adaptada contribui para a preservação e o acesso à memória administrativa e cultural do distrito. Além disso, a reabilitação de um edifício histórico para uso público reforça a oferta cultural e patrimonial da cidade.
Os próximos passos passam por avaliações técnicas sobre a adequação do edifício — incluindo condições de conservação, climatização, segurança e capacidade de crescimento — e por uma calendarização das intervenções necessárias antes de qualquer transferência física dos fundos.
Enquanto decorrem essas avaliações, mantém‑se a necessidade de garantir medidas provisórias que preservem documentação sensível, ao mesmo tempo que se avança na definição de um projeto que responda ao crescimento contínuo do património arquivístico do distrito.