Evento coloca Cascais no centro do debate global sobre recursos hídricos
A cidade de Cascais é, a partir deste verão, cenário da primeira edição da Bienal Mundial da Água — intitulada As Pegadas da Água — um projecto inédito que reúne ciência, arte, tecnologia e política entre julho e setembro. A iniciativa encontra-se sob o Alto Patrocínio da Presidência da República e pretende afirmar a água como tema estratégico do século XXI.
O programa combina um ciclo internacional de conferências, exposições de arte contemporânea, concertos e encontros sobre inovação, com o objectivo de promover diálogo e propostas concretas sobre a gestão dos recursos hídricos, alterações climáticas e sustentabilidade. A componente científica recupera o legado do Manifesto da Água (1998), que esteve na origem do Contrato Mundial da Água, e coloca antigos protagonistas desse processo no mesmo espaço de debate.
“Esta Bienal não estava inicialmente pensada para Portugal. Mas, olhando para a nossa relação atlântica, para a ligação histórica ao mar e para o simbolismo de Cascais, percebemos que só podia começar aqui.”
A citação é de Júlio Quaresma, mentor da iniciativa. A coordenação do ciclo de conferências fica a cargo de Margarida Ruas, antiga directora do Museu da Água, que reunirá intervenientes com experiência na redacção do documento original de 1998 para reflectir sobre os desafios actuais. O projecto prevê, como produto final, a elaboração do “Apelo de Cascais”, que será apresentado nas Jornadas da Água das Nações Unidas agendadas para dezembro de 2026, no Dubai.
No plano artístico, a direcção está entregue a Consuelo Ciscar e a curadoria geral a Demetrio Paparoni. Estarão representados mais de 70 artistas, entre os quais são mencionados nomes como Yoko Ono, Joana Vasconcelos, Thomas Ruff e o próprio Júlio Quaresma. As obras estarão distribuídas por três locais em Cascais e na área próxima: o Centro de Congressos do Estoril, a Cidadela de Cascais e o Centro Cultural de Cascais.
- Dimensão científica: conferências que recuperam o diálogo iniciado pelo Manifesto da Água (1998).
- Dimensão artística: exposições internacionais, concertos e iniciativas de cultura pública.
- Resultado previsto: elaboração do "Apelo de Cascais" para apresentação nas Nações Unidas.
Para os habitantes de Cascais, a bienal traz diversas consequências concretas: potencial aumento do fluxo turístico e cultural durante o período do evento; ocupação de espaços culturais e infra-estruturas locais; oportunidades de participação em debates públicos sobre gestão da água; e visibilidade internacional que pode influenciar políticas locais relacionadas com a sustentabilidade e o uso dos recursos hídricos.
| Item | Info |
|---|---|
| Período | Julho–Setembro |
| Patrocínio | Alto Patrocínio da Presidência da República |
| Locais | Centro de Congressos do Estoril, Cidadela de Cascais, Centro Cultural de Cascais |
| Direcção artística | Consuelo Ciscar (direcção) e Demetrio Paparoni (curadoria) |
| Artistas | Mais de 70 artistas confirmados |
A presença de múltiplas frentes — científica, artística e política — projecta Cascais para um papel de anfitriã num debate global sobre água, com impacto direto em instituições e no comércio local. A articulação entre os calendários culturais e as iniciativas científicas será determinante para que a cidade aproveite, de forma sustentável, o aumento da atenção internacional.