A Associação de Dadores de Sangue do Concelho de Aveiro (ADASCA) reporta uma redução significativa nas dádivas de sangue coincidente com a reabilitação do Mercado de Santiago e com a recente vedação de acesso à sua sede. Segundo a direção da associação, entre a mudança do posto fixo de recolha para o Mercado Manuel Firmino e 1 de julho deste ano verificou-se uma queda de 40% no número de dadores, situação que coloca em risco a regularidade das reservas locais.
Instalações, mobilidade e custos: obstáculos à dádiva
A mudança temporária do posto fixo para o Mercado Manuel Firmino foi decidida em 2025 face às obras previstas em Santiago. A ADASCA manteve a sua sede administrativa no Mercado de Santiago, mas a realização da empreitada gerou constrangimentos operacionais e de acesso que, segundo a associação, desmotivaram dadores habituais. A direção aponta para problemas de estacionamento e custos associados ao local alternativo como fatores que explicam a diminuição das dádivas.
- Queda comunicada: 40% menos dadores até 1 de julho.
- Local afetado: Mercado de Santiago (sede administrativa) e Mercado Manuel Firmino (posto de recolha).
- Consequência prática: risco de diminuição das reservas sanguíneas na área de Aveiro.
Além das questões logísticas, a relação entre a ADASCA e a Câmara municipal agravou-se quando a autarquia, por motivos de segurança relacionados com a obra, vedou o acesso dos membros da associação ao edifício. A associação afirma que não recebeu notificações escritas formais e que os contactos com os responsáveis municipais têm sido sobretudo por telefone, com exceções pontuais.
"Segundo o Instituto Português do Sangue e da Transplantação, desde aí até 1 de julho deste ano, foi registada uma quebra de 40% de dadores", afirmou Joaquim Carlos, presidente da ADASCA.
A ADASCA relata também dificuldades práticas na guarda e armazenamento de equipamentos — computadores, mobiliário e material médico — e diz não dispor de alternativa financeira para alugar espaços onde colocar o material durante a obra.
| Período | Indicador |
|---|---|
| 2025 (após mudança do posto) | Início de retração nas dádivas (conforme a associação) |
| Até 1 de julho de 2026 | -40% de dadores (relatado pela ADASCA) |
Para os utentes e potenciais dadores, a situação traduz‑se em menor disponibilidade de pontos fixos e maior dificuldade em conciliar a deslocação para doar com horários e custos. Para o setor de saúde, uma diminuição desta dimensão implica reforço de campanhas de recolha e eventuais ajustamentos na logística hospitalar para assegurar fornecimento a quem necessita.
Contactada sobre a matéria, a Câmara de Aveiro justificou a vedação do acesso por motivos de segurança ligados à obra, sem, porém, fornecer, até ao fecho desta edição, um documento que detalhasse alternativas propostas para a ADASCA. O caso mantém‑se em aberto e exige uma solução concertada, com comunicação formal e medidas práticas que permitam recuperar os níveis de dádiva e garantir o funcionamento seguro e contínuo do posto de recolha.