Decisão da Administração norte‑americana reacende tensões comerciais
O Executivo dos Estados Unidos anunciou, esta quinta‑feira, a imposição de tarifas gerais de 10% e 12,5% sobre importações provenientes de 60 parceiros comerciais. A medida, justificada pela Casa Branca com a alegada insuficiente fiscalização às proibições do trabalho forçado fora do país, afeta tanto a União Europeia — que negocia em bloco — como países com relações comerciais relevantes para Portugal, entre os quais o Brasil.
As tarifas entram em vigor às 0h01 desta sexta‑feira, com uma exceção temporária que isenta mercadorias já em trânsito até às 0h01 (horário do leste dos EUA) de 28 de julho. A medida retoma, na prática, uma política tarifária mais ampla promovida pela administração anterior e surge depois de a Suprema Corte ter anulado, em fevereiro, as tarifas “recíprocas” que variavam entre 10% e 50%.
“Os EUA têm uma proibição de importação de trabalho forçado há quase um século e a aplicam rigorosamente. Já passou da hora de nossos parceiros comerciais fazerem o mesmo.”
O governo norte‑americano aponta que países terceiros falham em aprovar ou executar legislação que impeça a entrada no mercado de produtos fabricados com trabalho forçado, gerando, na avaliação de Washington, concorrência desleal para empresas americanas que cumprem os requisitos legais internos.
Entre os Estados e blocos mais destacados na lista que sofrerá uma tarifa‑base de 12,5% constam: Brasil, China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Suíça, e vários países da América Latina e Ásia. Já a tarifa de 10% incide, entre outros, sobre a União Europeia, Canadá, México e o Reino Unido.
- Tarifa de 12,5%: Brasil, China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Suíça, entre outros.
- Tarifa de 10%: União Europeia (bloco), Canadá, México, Reino Unido, entre outros.
- Entrada em vigor: 0h01 desta sexta‑feira; mercadorias em trânsito isentas até 0h01 (ET) de 28/07.
Do ponto de vista europeu, a imposição de um encaixe tarifário generalizado pode provocar repercussões imediatas nas cadeias de valor e pressionar preços ao consumidor e produtores exportadores. Para Portugal, cuja economia exportadora depende de fluxos dentro da UE e de mercados externos, qualquer alteração de custos nas transacções internacionais pode ter efeitos em sectores como o agroalimentar, têxtil e componentes industriais.
| Tarifa | Alguns países afectados |
|---|---|
| 12,5% | Brasil, China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Suíça, Rússia, Chile, Colômbia |
| 10% | União Europeia, Canadá, México, Reino Unido, Argentina, Malásia, Taiwan |
As autoridades europeias e governos nacionais terão, nas próximas horas e dias, de analisar o alcance das novas taxas, avaliar possíveis medidas de retaliação e procurar canais diplomáticos para mitigar o impacto em comércio e indústrias sensíveis. A aplicação destas tarifas surge num contexto de crescente uso de instrumentos tarifários como resposta a preocupações comerciais e de direitos laborais, o que poderá reacender negociações e controvérsias internacionais sobre regras de comércio e conformidade laboral.