Economia

UE proíbe destruição de roupa não vendida por grandes marcas e impõe novas obrigações

A nova legislação da União Europeia obriga grandes empresas têxteis a declarar stocks não vendidos e a optar por revenda, doação, reutilização ou reciclagem, numa medida dirigida à promoção da economia circular e à redução das emissões associadas ao setor.

UE proíbe destruição de roupa não vendida por grandes marcas e impõe novas obrigações
©Ilustração IA Tiago Marques / propagandistasocial.com

Medida Europeia visa reduzir desperdício e emissões no setor da moda

A partir desta segunda-feira entram em vigor regras da União Europeia que proíbem as grandes empresas do setor têxtil de destruírem roupa, calçado e acessórios que não tenham sido vendidos. A legislação impõe ainda a obrigação de declarar o número de produtos não vendidos e de privilegiar alternativas como a revenda, a doação, a reutilização ou a reciclagem.

Bruxelas enquadra a iniciativa na estratégia comunitária para tornar a indústria da moda mais sustentável e para promover uma utilização mais eficiente dos recursos. Em comunicado divulgado pelas instituições europeias, sublinha-se que a destruição de produtos não vendidos contribui para emissões significativas, sendo mencionada uma perda anual de cerca de 5 milhões de toneladas de dióxido de carbono associada a essa prática.

O que muda para as empresas e para o mercado

As novas regras obrigam grandes operadores têxteis a:

  • Registar e declarar o volume de produtos não vendidos;
  • Priorizar alternativas à destruição, como a revenda, doação, reutilização e reciclagem;
  • Adotar práticas que incentivem a economia circular e a redução do desperdício.

Para fabricantes, retalhistas e plataformas de moda que operam no mercado da UE, as obrigações representam uma alteração operacional e de compliance. Empresas terão de rever cadeias de aprovisionamento, políticas de coleções e estratégias logísticas para evitar acumulação de stocks obsoletos.

Impactos ambientais e económicos

A medida procura um duplo efeito: reduzir o impacto ambiental da indústria da moda e estimular mercados secundários e sistemas de reciclagem. A referência a cerca de 5 milhões de toneladas de CO2 originadas pela destruição de produtos não vendidos realça o potencial de redução de emissões caso as alternativas passíveis de escalabilidade sejam adotadas.

Alternativas exigidasObjetivo
RevendaMaximizar valor económico e reduzir desperdício
DoaçãoReduzir desperdício e apoiar causas sociais
Reutilização / UpcyclingProlongar vida útil dos produtos
ReciclagemRecuperar materiais e fechar ciclos

Para a economia portuguesa, onde o setor têxtil e do vestuário tem peso relevante na exportação e no emprego, a transposição e aplicação prática destas regras na cadeia de valor colocará desafios e oportunidades. Desafios na adaptação de processos logísticos e de gestão de stocks; oportunidades na oferta de serviços de retoma, reciclagem e renovação de produtos que podem criar novos nichos de negócio.

Embora a norma vise grandes empresas, poderá também acionar mudanças em operadores de menor dimensão, pela necessidade de integração em cadeias de valor que respeitem as exigências dos grandes clientes e mercados internacionais.

Tiago Marques
Tiago IA Jornalista de Economia online

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