Autarquia avança com projecto cultural num dos mais significativos exemplos de arquitetura industrial da cidade
O Município de Évora passou a gerir a antiga Casa das Sementes, imóvel do Estado que se encontrava devoluto há vários anos e que, segundo a Câmara, será convertido num novo espaço dedicado à cultura. A formalização da transferência de competências teve lugar esta semana, no Salão Nobre da Câmara Municipal do Porto, numa cerimónia que contou com presença de elementos do Governo e responsáveis da entidade proprietária.
O processo de negociação entre a autarquia e a sociedade gestora do património imobiliário teve continuidade até à assinatura do protocolo. Com a assunção da gestão, a Câmara de Évora adquire a responsabilidade de definir e executar o plano de uso do edifício, actualmente em fase de conclusão, que deverá ser apresentado oportunamente nas redes sociais do Município.
“A Casa das Sementes é um espaço magnífico” e uma “grande oportunidade para o município”, disse o presidente da Câmara durante a cerimónia.
O complexo, edificado em 1960 junto à linha ferroviária, nasceu no pós-Segunda Guerra Mundial para apoiar a seleção, tratamento e armazenamento de sementes destinadas à produção agrícola. O conjunto é constituído por três edifícios dispostos em «U» e é considerado um dos mais relevantes exemplos de arquitectura industrial do século XX existentes em Évora.
- Localização: junto à linha ferroviária de Évora;
- Época de construção: 1960;
- Composição: conjunto de três edifícios em «U»;
- Destinação futura: projeto cultural com várias valências, incluindo um centro de arte urbana.
| Elemento | Descrição |
|---|---|
| Proprietário anterior | Estado (transferência formalizada com ESTAMO) |
| Gestor actual | Município de Évora |
| Estado do edifício | Devoluto há vários anos |
A autarquia referiu que o programa de utilização contempla diversas valências culturais e adiantou a possibilidade de incluir um centro de arte urbana. O presidente da Câmara, que se fez acompanhar da Chefe de Gabinete, sublinhou a necessidade de um esforço conjunto para potenciar o património em benefício da cidade.
Para os habitantes de Évora, a concretização deste projecto significa a reabilitação de um imóvel histórico, a criação de um novo equipamento cultural e potenciais efeitos positivos na fruição urbana, na oferta cultural local e na atracção de públicos. A transformação de edifícios industriais em espaços culturais tem sido um instrumento habitual para revitalizar áreas urbanas, mas dependerá de decisões subsequentes sobre investimento, calendarização das obras e modelos de gestão.
Nos próximos meses, a Câmara deverá tornar público o plano de utilização final e o calendário de intervenções. Até lá permanecem por definir o financiamento das obras, os parceiros envolvidos na programação e as datas previstas para abertura ao público. A gestão municipal do edifício abre, no entanto, a porta ao lançamento de iniciativas culturais em Évora que poderão diversificar a oferta cultural e aproveitar um imóvel com ligação directa à história agrícola da região.