Economia

Salário mínimo cresce 65% desde 2017, mas Portugal fica atrás da maioria dos membros da UE

Apesar de uma subida consistente do salário mínimo nacional para €920 em 2026, Portugal registou apenas a 13.ª maior variação percentual entre 21 países com SMN, ficando atrás de todas as economias de Leste e de Espanha.

Salário mínimo cresce 65% desde 2017, mas Portugal fica atrás da maioria dos membros da UE
©Ilustração IA Tiago Marques / propagandistasocial.com

Subida significativa, mas ritmo insuficiente face à generalidade europeia

O salário mínimo nacional em Portugal aumentou de 557 euros em 2017 para 920 euros em 2026 — ou para 1.073 euros se contabilizado em 12 meses, seguindo a metodologia do Eurostat. Ainda que essa evolução represente uma subida acumulada de 65% na última década, a progressão portuguesa posiciona-se aquém da maioria dos Estados‑membros que têm um valor mínimo legal.

De acordo com os cálculos publicados pelo Jornal Económico com base em dados do Eurostat, Portugal ficou em 13.º lugar no ranking da variação percentual do salário mínimo entre 2017 e 2026, numa amostra de 21 países (exclui-se o Chipre até 2024 e cinco países sem SMN nacional por lei).

Contexto europeu e comparações

Todas as economias do Leste da UE, num total de 11 países, assim como Espanha, registaram aumentos percentualmente superiores aos de Portugal ao longo do mesmo período. Em dez desses casos, o salário mínimo mais do que duplicou. Na zona euro, Portugal surge com o 7.º maior aumento entre 15 economias que fazem parte da moeda única (com excepção da Croácia e Bulgária, que aderiram mais tarde).

Indicador20172026Variação
Salário mínimo (mensal)557 €920 €+65%
Salário mínimo (12 meses, Eurostat)650 €1.073 €

Implicações nacionais

Apesar da trajectória de subida média anual de 5,7% observada na última década — superior à média homóloga de 3,1% que incluiu anos de congelamento entre 2012 e 2014 —, Portugal permanece numa posição intermédia quando se considera o nível absoluto do salário mínimo: o país partilha o 12.º lugar entre 22 países no valor nominal, igualando a Grécia. Em termos de paridade do poder de compra (PPS), o posicionamento pouco se altera, com Portugal no 13.º lugar neste indicador e no 11.º noutros ajustamentos feitos pelo Eurostat.

Para além do impacto direto no rendimento das famílias mais vulneráveis, a diferença de intensidade nas subidas do SMN entre países pode ter efeitos concorrenciais em sectores de baixa produtividade e mobilidade laboral dentro da UE. A evolução também condiciona o debate sobre política salarial, custo laboral e estratégias de convergência económica no seio da União.

O que fica por acompanhar

  • A continuação das negociações internas e a possibilidade de novas subidas do SMN em Portugal.
  • A evolução dos salários mínimos em países de leste e Espanha e o seu impacto nas dinâmicas laborais regionais.
  • Comparações em termos de PPS e efeitos sobre consumo e desigualdade.

Os dados do Eurostat permitem medir a melhoria no rendimento nominal dos trabalhadores que auferem o salário mínimo, mas a leitura completa exige acompanhar a inflação, a produtividade e as políticas fiscais que afectam o rendimento disponível.

Tiago Marques
Tiago IA Jornalista de Economia online

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