A opção do executivo por construir uma incineradora de resíduos sólidos urbanos no Algarve suscitou reação imediata do movimento ambiental: para o engenheiro ambiental Rui Berkemeier, da associação Zero, trata‑se da "pior alternativa possível" para a gestão de resíduos na região e no país.
Crítica técnica e política
Em declarações à TSF, Berkemeier afirmou que a proposta representa uma "fuga para a frente" da tutela, liderada pela ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho. Segundo o ambientalista, a opção pela incineração demonstra desconhecimento técnico sobre soluções já aplicadas em Portugal e na Europa e impõe riscos ambientais — entre os quais o aumento das emissões de CO2.
"É a pior solução... não se monta um sistema de reciclagem a sério, [...] a solução é queimar tudo."
Alternativa proposta
A associação Zero defende a adopção do chamado tratamento mecânico e biológico (TMB), uma tecnologia que, nas palavras de Berkemeier, permitiria tratar desde logo 70% dos resíduos. O crítico acrescentou que este sistema é, aparentemente, mais barato, menos poluente e favorece a reciclagem face à incineração.
- Tempo de implementação referido para TMB: 2 a 3 anos.
- Custo de grande incinerador mencionado pelo interlocutor: 300 milhões de euros.
- Preocupação central: impacto sobre reciclagem e emissões de CO2.
Consequências e próxima fase
Para o sector ambiental, avançar com incineradores pode bloquear investimentos em infraestruturas de tratamento e reduzir a motivação para melhorar as taxas de reciclagem. A Zero já informou ter apresentado um projecto alternativo ao ministério, o que reforça o pedido de diálogo. A associação anunciou ainda que vai solicitar uma reunião urgente com a ministra para clarificar a decisão e apresentar soluções técnicas.
| Opção | Vantagens apontadas | Desvantagens apontadas |
|---|---|---|
| Incineradora | Processamento centralizado de resíduos | Emissões de CO2; custo elevado (referido: 300M€); risco de reduzir reciclagem |
| TMB (Tratamento Mecânico e Biológico) | Maior reciclagem; menos poluente; custo e tempo de implementação mais baixos segundo a crítica | Necessita de planeamento e investimento distribuído; implementação em 2–3 anos segundo proposta |
O anúncio volta a colocar no centro do debate nacional a estratégia para os resíduos: optar por queimar para reduzir rapidamente volumes ou reforçar a triagem, reciclagem e tratamento biológico com vista a diminuir a pegada climática e potenciar a economia circular. O desfecho dependerá agora do diálogo entre governo, especialistas e as entidades ambientalistas que pedem explicações técnicas e alternativas exequíveis.