Projecto educativo e agroalimentar pode desaparecer
O espaço de agricultura urbana que, desde 2024, funciona nas traseiras da Escola Secundária Gil Vicente, na Graça, corre o risco de ser interrompido após um pedido do Exército para instalar aí um estaleiro de obra. A horta comunitária, dinamizada pela cooperativa Rizoma e conhecida como Cultiva, serve como espaço educativo para alunos e crianças da cidade e abastece a mercearia da cooperativa.
Em causa está o uso de cerca de 1.000 metros quadrados do terreno escolar, que o Exército pretende transformar em acesso para camiões e instalação temporária do estaleiro das obras de requalificação da Messe de Santa Clara. A decisão, divulgada pela Rizoma, inclui um prazo para desocupação até 12 de Setembro, data que preocupa os responsáveis pelo projecto por impossibilitar candidaturas a financiamentos em curso.
A perda do terreno implicaria não apenas o fim de uma área produtiva, mas também o encerramento de actividades pedagógicas ligadas à agricultura ecológica e à segurança alimentar local. A Rizoma lançou uma petição pública dirigida à Assembleia da República na esperança de que os deputados recomendem a revisão da decisão ou promovam negociações para uma solução de partilha do espaço.
- Origem do projecto: 2024.
- Área em causa: ~1.000 m².
- Prazo de desocupação anunciado: 12 de Setembro.
Os responsáveis pela Rizoma sublinham que a horta tem funcionado como recurso educativo e como contributo para a economia local, alimentando a mercearia da cooperativa, situada nos Anjos. Para além disso, a existência do espaço tem servido de plataforma para ensinar práticas de agricultura sustentável a jovens e crianças da Horta, um benefício que a cooperativa argumenta ser de interesse público.
| Item | Dados |
|---|---|
| Ano de início | 2024 |
| Área ocupada | 1.000 m² (aprox.) |
| Prazo de saída | 12 de Setembro |
Contactada, a cooperativa apela a uma solução que permita a convivência entre as obras e a manutenção do projecto. Entre as propostas em discussão está a possibilidade de encontrar um espaço alternativo na cidade ou a adopção de um calendário de obras que preserve as actividades essenciais da horta durante os períodos lectivos mais importantes.
Para os moradores da Horta, a questão coloca um dilema entre necessidades logísticas de uma intervenção militar e o valor social, pedagógico e ambiental de um projecto comunitário desenvolvido localmente. A petição pública é, por agora, o instrumento escolhido pela Rizoma para tentar travar a execução imediata do pedido do Exército e abrir negociações formais.
As próximas semanas serão determinantes: o calendário administrativo e a capacidade de acordos entre a escola, o Exército, a Câmara e a Rizoma decidirão se o espaço que já funciona como quintal pedagógico e fonte de produtos locais se mantém ou desaparece em favor do estaleiro.