Festival propõe repensar a fotografia para além da documentação
A 8.ª edição do Imago Lisboa – Photo Festival inaugura a 24 de setembro no Instituto Cervantes e apresenta um programa composto por 12 exposições espalhadas por espaços culturais da cidade. O festival aborda a fotografia contemporânea como um campo expandido onde se cruzam questões de memória, tecnologia e materialidade da imagem.
Segundo o programa divulgado pela organização, a iniciativa inclui projetos de autores nacionais e internacionais e aposta em diálogos entre arquivos, práticas experimentais e mediações tecnológicas. Entre as propostas anunciadas estão intervenções no Museu da Água e no Museu Nacional de Arte Contemporânea, bem como exposições em galerias e outros espaços independentes da capital.
“A fotografia deixa de ser entendida apenas como um instrumento de documentação para assumir um papel crítico e processual, em permanente transformação, onde se cruzam práticas performativas, reflexivas e experimentais.”
O texto do diretor artístico, Rui Prata, indica que o tema da edição — Repensar a fotografia: ecologias da imagem — parte da constatação de que a imagem fotográfica já não é apenas registo. Essa perspetiva motiva curadorias que exploram arquivos fotográficos como espaços vivos de investigação e questionamento.
- Inauguração: 24 de setembro, Instituto Cervantes;
- Exposições: 12, distribuídas por museus, galerias e espaços culturais de Lisboa;
- Temas centrais: arquivo, memória, inteligência artificial e materialidade da imagem.
O programa integra nomes com trabalhos já reconhecidos e jovens criadores. Entre as exposições destacam-se projetos de Joan Fontcuberta (no Museu da Água) e Délio Jasse (no Museu Nacional de Arte Contemporânea). A abertura ficará a cargo de uma mostra de António Guerra, enquanto outras exposições reúnem talentos como José Luís Neto, João Mota da Costa, Rocío Bueno e Sarah Schorr.
O festival inclui ainda duas mostras coletivas com curadoria de Rui Prata, que terão lugar na Mitra, reunindo trabalhos de artistas internacionais como Angeniet Berkers, Marc Schroeder, Viktoria Sorochinski, Heidi Piiroinen, Ian Cheibub e Rima Samman. Paralelamente, a Galeria Santa Maria Maior apresenta a exposição New Cartographies, com obras de vários autores contemporâneos.
| Espaço | Artistas / Projeto |
|---|---|
| Instituto Cervantes | António Guerra (inauguração) |
| Museu da Água | Joan Fontcuberta |
| Museu Nacional de Arte Contemporânea | Délio Jasse |
| Galeria Santa Maria Maior | New Cartographies (vários autores) |
Para os residentes e visitantes de Lisboa, o festival representa uma oportunidade para ver como a prática fotográfica contemporânea responde a desafios técnicos e culturais emergentes — desde a integração de ferramentas digitais e de inteligência artificial até à reconsideração do estatuto dos arquivos. A programação, distribuída por vários pontos da cidade, facilita o acesso a diferentes públicos e cria rotas culturais que estimulam a circulação entre instituições.
A organização sublinha a intenção de promover um olhar crítico sobre a imagem, incentivando encontros entre investigadores, autores e o público. O Imago Lisboa mantém-se assim como um dos eventos fotográficos mais relevantes do calendário cultural da cidade, concentrando propostas que visam tanto a fruição como a reflexão sobre os meios contemporâneos de criação e conservação da imagem.