O secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna confirmou que está em curso um inquérito interno relacionado com os disparos efetuados, a 26 de junho, por um militar da GNR no Centro de Formação da Escola da Guarda, em Portalegre. O Governo remeteu para essa investigação a resposta a perguntas essenciais sobre como o elemento chegou a receber uma arma de serviço.
De acordo com a defesa do militar, a Junta Superior de Saúde da GNR terá decidido, em 26 de março de 2026, dispensar o elemento do uso e porte de arma, decisão que, segundo o advogado, foi publicada em ordem de serviço da própria Escola da Guarda e comunicada ao militar. Três meses depois, durante uma cerimónia de juramento de bandeira, o militar terá sido escalado para serviço armado e alegadamente recebeu uma pistola Glock 9 mm, que utilizou para efetuar disparos para o ar.
«Eu não lhe posso dizer, em concreto, o que é que se passou para isso acontecer», declarou o secretário de Estado à comunicação social, sublinhando que as conclusões do inquérito serão aguardadas antes de mais esclarecimentos.
Questões por responder
As autoridades ainda não esclareceram vários pontos que preocupam habitantes e especialistas em segurança pública na região:
- Quem escalou o militar para o serviço armado na cerimónia?
- Quem autorizou a entrega da arma de serviço ao elemento?
- Se a dispensa do porte de arma estava registada de forma acessível às pessoas responsáveis pela escala e pela entrega do equipamento.
O secretário de Estado explicou que, em regra, as armas de serviço utilizadas no âmbito de um turno ficam depositadas no posto quando um militar deixa de estar ao serviço. Ainda assim, recusou comentar o caso concreto enquanto o processo disciplinar e o inquérito interno não estiverem concluídos.
Para a população de Portalegre, o episódio levanta dúvidas sobre os controlos internos nas estruturas de treino e sobre os procedimentos de gestão de armamento. A necessidade de clarificação é tanto institucional quanto prática: garantir que escalas, ordens de serviço e registos de aptidão são coordenados de forma a evitar situações com risco para civis e para os próprios militares.
| Data | Evento |
|---|---|
| 26 de março de 2026 | Alegada dispensa do porte de arma (segundo a defesa) |
| 26 de junho de 2026 | Disparos efetuados no Centro de Formação da Escola da Guarda |
O desfecho do inquérito será determinante para apurar responsabilidades e, eventualmente, ajustar procedimentos internos. Até lá, o Governo optou por não fornecer pormenores sobre quem tomou as decisões operacionais que resultaram na presença do militar armado na cerimónia.