Revisão das previsões e sinais de abrandamento
O Banco Central da Rússia anunciou uma revisão em baixa das suas previsões para a economia do país, estimando agora um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026 entre 0% e 1%. A instituição reportou que a economia russa cresceu 0,8% no segundo trimestre do ano, depois de uma contração de 0,3% no primeiro trimestre, e espera um aumento de 0,5% no terceiro trimestre.
Entre os motivos apontados para a revisão está uma redução temporária da capacidade produtiva em certos setores, resultado, segundo o banco, da actual crise de abastecimento de combustíveis originada por ataques a infraestruturas petrolíferas ucranianas. O regulador observa igualmente sinais de desaceleração da actividade em julho.
Inflação, política monetária e expectativas
O Banco da Rússia estimou que a inflação situou-se entre 6% e 7% até ao final do segundo trimestre, depois de uma aceleração em junho e julho que fez com que a taxa se aproximasse da projeção de 5,9%. A taxa de juro de referência mantida nas declarações é de 14%, e o banco prevê uma estabilização gradual do mercado de combustíveis acompanhada de uma abrandamento do ritmo de subida dos preços ao consumidor.
Impacto orçamental e enquadramento industrial
Os dados oficiais divulgados pelo banco central revelam um agravamento das contas públicas: o défice orçamental no primeiro semestre foi de 5,731 biliões de rublos (aproximadamente 75,502 mil milhões de dólares ou 66 mil milhões de euros), o que equivale a 2,5% do PIB — mais do dobro do registado no mesmo período do ano anterior.
"Os dados atuais indicam uma desaceleração da actividade económica em julho", afirmou o regulador.
Relatos da imprensa russa descrevem uma procura interna fraca e uma produção industrial dependente sobretudo de encomendas internas, muitas delas ligadas ao sector militar. Em reacção à conjuntura, o Governo já reviu em baixa a sua própria estimativa de crescimento para 2026, reduzida de 1,3% para 0,4%.
Implicações externas e riscos para a Europa
A crise de combustíveis na Rússia, além de exercer pressão sobre a produção interna, pode ter repercussões nos mercados energéticos internacionais, com impacto potencial sobre preços e cadeias de abastecimento. Para economias europeias, a evolução da situação russa é um factor a monitorizar, dado o papel do país no abastecimento de hidrocarbonetos e a interdependência energética que persiste em vários segmentos.
Resumo em números
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Crescimento do PIB (2.º trimestre) | 0,8% |
| Crescimento do PIB (1.º trimestre) | -0,3% |
| Previsão de crescimento para 2026 | 0% a 1% |
| Inflação (até final 2.º trimestre) | 6% a 7% |
| Taxa de juro de referência | 14% |
| Défice orçamental (1.º semestre) | 5,731 biliões de rublos (~66 mil milhões €) |
- Revisão em baixa das projeções para 2026 devido a quebra de capacidade produtiva.
- Crise de combustíveis por ataques a infraestruturas torna a recuperação incerta.
- Risco de contágio para mercados energéticos e impacto em preços na Europa.
A evolução das próximas semanas será determinante para perceber se a estabilização antecipada pelo Banco da Rússia se confirma e que efeitos terão estes choques sobre o crescimento e a inflação, tanto na economia russa como nos parceiros comerciais e mercados internacionais.