Petição e protesto em Lisboa reacendem debate sobre futura configuração do Metropolitano
Um grupo de cidadãos entregou esta quarta‑feira uma carta ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, manifestando oposição ao projecto da Linha Circular do Metropolitano e defendendo que seja adoptada a solução alternativa conhecida por «Linha em Laço». O abaixo‑assinado, promovido pelo PCP, reúne mais de 4.000 assinaturas e foi acompanhado por uma concentração na Praça do Município com cerca de 50 pessoas.
O projecto da Linha Circular prevê ligar a estação do Rato ao Cais do Sodré, com a criação de duas novas estações — Estrela e Santos — numa extensão de dois quilómetros, e a constituição de um anel na Linha Verde, alterando o trajecto da Linha Amarela a partir do Campo Grande. Os peticionários alertam para a introdução de um novo interface no Campo Grande, que, segundo a petição, obrigará “milhares de utentes” a um transbordo adicional para aceder ao centro da cidade.
“Aquilo que me foi informado no caso desta nova administração do Metro foi que isso criaria um atraso enorme à abertura do metro, que a solução teria um custo acrescido”, afirmou Carlos Moedas durante a reunião pública da CML.
Os signatários da petição sustentam que a alternativa da Linha em Laço manteria Telheiras e Odivelas como terminais e asseguraria a ligação à nova expansão, uma opção que consideram tecnicamente viável, mais económica face ao investimento já realizado e melhor ajustada às necessidades de mobilidade das populações, ao preservar ligações directas ao centro.
- Assinaturas: mais de 4.000
- Presença na praça: cerca de 50 pessoas
- Novas estações previstas: Estrela e Santos
O argumento central dos opositores é que a criação do interface no Campo Grande implicará um transbordo adicional para utentes provenientes de áreas como Lumiar, Telheiras, Quinta das Conchas, Santa Clara/Ameixoeira e Odivelas, o que, afirmam, constitui um agravamento das condições de mobilidade. A entrega formal da carta foi feita por Pedro Lemos, morador da zona norte e militante do PCP, que tem dinamizado a iniciativa.
| Elemento | Dados |
|---|---|
| Extensão prevista | 2 km |
| Novas estações | Estrela, Santos |
| Assinaturas do abaixo‑assinado | >4.000 |
| Participantes na concentração | ~50 |
Na reunião pública da CML, Moedas afirmou que já havia insistido junto de diferentes governos e responsáveis pela tutela e referiu que a nova administração do Metro teria comunicado que a solução circular poderia provocar um atraso significativo na abertura do metropolitano e implicaria custos acrescidos. Estas declarações colocam a discussão no plano político e técnico, sublinhando a necessidade de avaliações aprofundadas sobre cronograma e impacto financeiro.
Para os lisboetas, a disputa entre as duas soluções traduz‑se em duas preocupações concretas: o tempo de implementação da expansão e as alterações no quotidiano de deslocação. Caso se opte pela Linha Circular conforme projectada, alguns percursos directos até ao centro poderão passar a incluir transbordos; se prevalecer a Linha em Laço, os defensores dizem que se preservam essas ligações ao mesmo tempo que se reduz o custo e a complexidade da obra. O debate deverá prosseguir nos próximos meses, com implicações para o planeamento do serviço e para os utilizadores regulares do Metropolitano de Lisboa.