Investimento e prazos
O relatório técnico apresentado pela concessionária responsável pelo projecto do novo aeroporto de Lisboa aponta para um investimento entre 7,9 e 8,9 mil milhões de euros a preços de 2024. Estes montantes referem-se às obras principais do aeroporto e excluem os custos das acessibilidades e outras infraestruturas que ficarão a cargo do Estado.
Segundo o documento, a concessionária — ANA — deverá propor um modelo financeiro ao Governo, com entrega prevista do relatório financeiro em janeiro de 2027. Esse modelo incluirá capitais próprios, dívida e receitas operacionais do aeroporto, como as taxas cobradas às companhias aéreas.
Acessibilidades e ligação ferroviária
O projecto prevê que o novo aeroporto seja servido por um shuttle ferroviário que fará a ligação a Lisboa em cerca de 20 minutos. Essa ligação será feita por um túnel com cerca de 5 quilómetros, que conectará o aeroporto à futura linha de alta velocidade entre Lisboa e Madrid. A solução envolve também a criação da terceira travessia do Tejo entre Chelas e Barreiro.
“O consenso dos portugueses e das portuguesas que estavam fartos de continuar a não rematar à baliza. Agora estamos a rematar coletivamente”.
A linha de alta velocidade prevista terá um desvio para servir o aeroporto, permitindo comboios que andem até 200 km/h nesse troço. As intervenções rodoviárias associadas somam cerca de 250 quilómetros de novas vias e a requalificação de outros 50 quilómetros de estradas.
Consequências práticas para Lisboa e a região
- Impacto orçamental: os valores apresentados implicam um grande esforço de financiamento por parte da concessionária e eventual envolvimento do Estado nas acessibilidades.
- Mobilidade: a ligação ferroviária de 20 minutos promete reduzir o tempo de acesso ao aeroporto para residentes e visitantes, mas depende da execução da terceira travessia do Tejo e da integração com a linha de alta velocidade.
- Obras rodoviárias e urbanísticas: 250 km de novas vias terão efeitos na rede viária e possivelmente no planeamento municipal das áreas afectadas.
Em termos práticos, a responsabilidade pelo financiamento das acessibilidades continua por definir e, no relatório técnico, os custos dessas intervenções não estão incluídos no intervalo de 7,9–8,9 mil milhões. O Governo anunciou que pretende assegurar transparência ao longo do processo e sublinhou a importância do consenso político e social para o avanço do projecto.
Tabela resumo
| Elemento | Valor / Observação |
|---|---|
| Investimento principal | 7,9–8,9 mil milhões € (preços de 2024) |
| Entrega do relatório financeiro | Janeiro de 2027 (previsto) |
| Tempo de ligação ferroviária a Lisboa | 20 minutos |
| Túnel de ligação | ~5 km |
| Velocidade na linha | Até 200 km/h (no troço que serve o aeroporto) |
| Novas vias rodoviárias | 250 km previstas + 50 km a requalificar |
O anúncio e os números agora divulgados colocam várias perguntas sobre o calendário realista de execução, os impactos ambientais e a afectação de solos, bem como a forma como serão geridos os custos das acessibilidades — questões que serão decisivas para os residentes do distrito de Lisboa e para os municípios atravessados pelas infra‑estruturas propostas.
O debate espera agora a apresentação do modelo financeiro e a clarificação das responsabilidades públicas na construção das travessias e das ligações ferroviárias, elementos essenciais para que o projecto avance sem surpresas para a população e para as contas públicas.