Acervo municipal em Alvalade será transformado em equipamento cultural
Um conjunto significativo de moldes utilizados na execução da calçada artística portuguesa está armazenado num armazém municipal em Alvalade e vai servir de base à criação de um centro interpretativo, anunciou a Câmara Municipal de Lisboa. O espólio é composto por um total estimado de 6 000 moldes, dos quais cerca de 3 000 são considerados originais, alguns remontando ao século XIX.
Os responsáveis pela inventariação explicam que o espaço — identificado por um letreiro que anuncia a "Arrecadação de moldes" — era, até há poucos anos, pouco organizado. Desde 2019 uma equipa da autarquia tem procedido à triagem e conservação do material, trabalho que permitiu identificar padrões, motivos e peças com relevância histórica para a leitura do espaço urbano lisboeta.
"é um compromisso de mandato"
A vereadora com pelouro nos Projetos e Obras em Espaço Público, Joana Baptista, indicou que o projeto do centro interpretativo está em desenvolvimento e que a meta é apresentar a coleção integrada no equipamento até 2029. A autarquia aponta o acervo como um recurso único para interpretar a evolução da calçada em Lisboa e a sua ligação à identidade da cidade.
Entre os moldes preservados destacam-se representações diversas — desde motivos florais e animais até símbolos como a sigla da Câmara Municipal — e um exemplar que pode ser o mais antigo do conjunto: o padrão conhecido como "Mar Largo", associado à reforma da Praça do Rossio de 1848-1849. Esse molde, que simula um mar de ondas em preto e branco e que mais tarde inspirou padrões noutros países, encontra-se em estado de conservação fragilizado, segundo os técnicos que trabalham no arquivo.
- Local de guarda: armazém municipal em Alvalade;
- Inventário atual: cerca de 6 000 moldes, dos quais 3 000 originais;
- Peça mais antiga identificada: padrão "Mar Largo" (1848-1849).
O processo agora em curso inclui a catalogação detalhada, ações de conservação preventiva e a definição de espaços expositivos que permitam a visita pública ao acervo. Técnicos e historiadores referem que a preservação destes moldes não só salvaguarda instrumentos de trabalho mas também documenta técnicas, estéticas e redes de produção que marcaram os pavimentos de Lisboa.
Para os habitantes e visitantes, a criação do centro interpretativo poderá traduzir-se em benefícios concretos: melhor acessibilidade a um património até aqui pouco visível, oportunidades educativas para escolas e investigadores, e um reforço da oferta cultural local que complementa o discurso urbano sobre identidade e memória coletiva.
| Item | Quantidade / Ano |
|---|---|
| Moldes existentes | 6 000 |
| Moldes originais | 3 000 |
| Molde mais antigo identificado | 1848-1849 |
O projeto será desenvolvido pela autarquia e é apresentado como parte dos compromissos de mandato. A calendarização e a definição do modelo de gestão do centro interpretativo — se municipal, colaborativo ou com parcerias externas — deverão ser divulgadas à medida que o trabalho de inventariação avance. Até lá, a equipa responsável continuará a avaliação das condições de conservação e à priorização das intervenções necessárias para garantir que as peças possam, sem risco, ser expostas ao público.