Exposição partilhada entre dois museus lisboetas
Entre 14 de setembro e 30 de novembro, Lisboa acolhe a exposição Obras Convidadas: um diálogo entre Joaquín Sorolla e Maruja Mallo, integrada na nona edição da bienal Mostra España. A iniciativa apresenta, pela primeira vez no âmbito do programa Obra Convidada, três pinturas que serão exibidas em simultâneo em dois dos principais museus da cidade: o Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado e o Museu de Arte Contemporânea do Centro Cultural de Belém (MAC/CCB).
Do lado do Museu do Chiado será mostrada a peça Pescadoras Valencianas (1915), proveniente do Museo Sorolla. No MAC/CCB estarão duas obras de Maruja Mallo cedidas pela Fundación María José Jove: Basuras (1930) e Naturaleza viva (1943). A organização descreve o conjunto como um diálogo sobre as transformações da arte espanhola na primeira metade do século XX, com especial foco nas representações do mar.
O que traz cada obra ao público lisboeta
Segundo a informação disponibilizada pela Mostra España, a pintura de Sorolla pertence à fase final da sua carreira, em que o artista confere monumentalidade às figuras femininas que aguardam a chegada dos barcos, celebrando a relação com a sua terra natal e com o Mediterrâneo enquanto espaço de trabalho e sustento. As duas telas de Maruja Mallo, por sua vez, articulam leituras críticas distintas: Basuras, da série Cloacas y campanarios, propõe uma visão inquietante e crítica da sociedade moderna; Naturaleza viva, executada durante o exílio argentino, revisita a natureza-morta com uma linguagem geométrica inspirada em elementos marinhos.
- Local: Museu do Chiado e MAC/CCB
- Período de exibição: 14/09 – 30/11
- Obras: Pescadoras Valencianas (1915); Basuras (1930); Naturaleza viva (1943)
| Museu | Obra | Proveniência |
|---|---|---|
| Museu do Chiado | Pescadoras Valencianas (1915) | Museo Sorolla |
| MAC/CCB | Basuras (1930); Naturaleza viva (1943) | Fundación María José Jove |
Para os habitantes de Lisboa, a mostra oferece uma oportunidade de comparar abordagens diferentes ao imaginário do mar no contexto ibérico — do Mediterrâneo luminoso de Sorolla às imagens de despojo e fragmentação social de Mallo — sem necessidade de viajar além-fronteiras. A partilha das obras entre dois equipamentos culturais da cidade também permite alargar os pontos de contacto do público com a bienal, acomodando diferentes rotas de visita e públicos.
Além do valor artístico, a iniciativa implica logística e cooperação institucional entre entidades espanholas e portuguesas — nomeadamente museus e a organização da Mostra España — que reforçam a presença de programação cultural internacional em Lisboa durante o outono. A programação paralela, se prevista, poderá aumentar a oferta educativa e formativa local, embora essa informação não tenha sido detalhada no anúncio inicial.