Loulé apresentou internamente a candidatura a Capital Portuguesa da Cultura 2028, sustentando a ambição num percurso de investimento em programação, equipamentos e no reforço do tecido associativo. A reunião de apresentação decorreu no Cineteatro Louletano na passada quinta-feira, 6 de agosto, onde foram apontados os eixos que justificam a candidatura.
Projeto assente em ganhos acumulados e em novos investimentos
O município destaca um conjunto de intervenções e iniciativas que, segundo a autarquia, traduzem um trabalho de vários anos: a programação regular do Cineteatro Louletano, a reabilitação e criação de novos espaços — entre os quais os Banhos Islâmicos — e um aumento assinalável do número de associações culturais no concelho. A candidatura integra também a Estratégia Municipal da Cultura 2034, um processo participativo lançado em 2024 para orientar investimentos e melhorias nas estruturas culturais.
Embaixadores com ligações locais
Para dar visibilidade e peso à iniciativa, Loulé nomeou três embaixadores: a escritora Lídia Jorge, o músico Dino d’Santiago e o dramaturgo e encenador Ricardo Neves-Neves. Todos os três têm raízes no concelho — Lídia Jorge é natural de Boliqueime, Dino d’Santiago nasceu em Quarteira e Ricardo Neves-Neves também é natural de Quarteira — facto que a câmara usa para sublinhar a autenticidade da proposta.
«Nos traz mais força», afirmou Telmo Pinto, presidente da Câmara de Loulé, ao comentar o envolvimento dos embaixadores no processo.
Na apresentação, o presidente municipal recordou que todos os embaixadores «são referências» e que participam «a partir do mesmo pé de igualdade», reforçando a ideia de que a candidatura pretende congregar vontades locais e reconhecimento nacional.
Indicadores e projetos estruturantes
Um dos números destacados pela autarquia foi o crescimento do movimento associativo no concelho: o número de associações culturais passou de 19 em 2013 para 42 em 2026. Outro projeto de relevo referido na candidatura é a segunda fase do Quarteirão Cultural de Loulé, uma reabilitação urbana que abrange uma área de 5.000 metros quadrados e integra o antigo Convento do Espírito Santo, entre outras intervenções previstas.
- Programação: fortalecimento do Cineteatro Louletano.
- Equipamentos: novos espaços como os Banhos Islâmicos e reabilitação do Quarteirão Cultural.
- Tecido associativo: aumento de associações culturais entre 2013 e 2026.
- Estratégia: integração na Estratégia Municipal da Cultura 2034.
| Ano | Nº de Associações | Projeto/Marcos |
|---|---|---|
| 2013 | 19 | Referência histórica do início do acompanhamento municipal |
| 2026 | 42 | Crescimento apontado pela Câmara como resultado das políticas culturais |
| 2024 | — | Lançamento da Estratégia Municipal da Cultura 2034 |
A autarquia admite que «está tudo a ser ainda estudado» quanto à eventual criação de novos espaços integrados na candidatura, mas aponta a segunda fase do Quarteirão Cultural como um dossier já em curso. No mesmo sentido, a Câmara realça que a aposta na cultura foi um traço também dos executivos anteriores, nomeadamente durante as presidências de Vítor Aleixo (PS) e Seruca Emídio (PSD), cujas gestões fomentaram a criação de eventos como o Festival MED e a Noite Branca.
A candidatura de Loulé a Capital Portuguesa da Cultura 2028 assume-se assim como um esforço de continuidade e de valorização dos recursos locais, ao mesmo tempo que procura mobilizar figuras reconhecidas para reforçar a projeção nacional do projeto. Resta agora conhecer o calendário formal de entrega da proposta e as fases subsequentes do processo de avaliação.