Dados do INE mostram crescimento nominal; deflação real reduz dinamismo
O Índice de Volume de Negócios nos Serviços registou um aumento homólogo de 4,1% no segundo trimestre de 2026, segundo a informação divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Apesar deste acréscimo nominal, a leitura em termos reais — já descontada a inflação — revela um comportamento menos favorável: o índice deflacionado diminuiu 0,2%, depois de uma queda de 1,9% em maio.
Em junho, o ritmo homólogo nominal acelerou para 4,6%, uma subida de 2,8 pontos percentuais (p.p.) face ao mês anterior. O agregado reflecte um padrão heterogéneo entre subsectores, com alguns a sustentarem grande parte do ganho e outros a mostrarem um abrandamento.
Setores com maior contributo
As actividades de consultoria, científicas, técnicas e similares destacaram-se em junho, com um crescimento homólogo de 15,9%, correspondendo ao contributo mais significativo para a variação do índice agregado: 2,2 p.p. Outro ramo com influência relevante foi o de transportes e armazenagem, que, apesar de ter moderado a sua taxa desde 5,2% em maio para 4,3% no período em análise, representou o segundo maior contributo (cerca de 1,1 p.p.).
- Consultoria e semelhantes: crescimento homólogo de 15,9%, contribuição de 2,2 p.p.
- Transportes e armazenagem: variação homóloga de 4,3%, segundo maior contributo (≈ 1,1 p.p.)
- Agregado: crescimento nominal de 4,1% no 2.º trimestre; índice real decresce 0,2%
Implicações macroeconómicas e para as empresas
O contraste entre o progresso nominal e a redução em termos reais sugere pressões de preços que podem estar a corroer margens e o poder de compra dos consumidores. Um aumento do volume de negócios medido em termos nominais sem contrapartida de crescimento real pode traduzir-se em ganhos limitados para o emprego e para o investimento, caso os preços expliquem grande parte do movimento.
Para setores dominados por serviços profissionais, como consultoria, o forte aumento homólogo indica procura robusta, mas convém analisar se esse crescimento resulta de maior atividade ou de reajustes de preço. No caso dos transportes, a desaceleração da taxa é sinal de menor dinamismo relativo, embora o setor continue a ter peso significativo na variação agregada.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Crescimento homólogo (2.º trimestre) | 4,1% |
| Crescimento homólogo (junho) | 4,6% |
| Contribuição: consultoria e afins | 2,2 p.p. |
| Var. transportes (maio → junho) | 5,2% → 4,3% (contributo ≈ 1,1 p.p.) |
| Índice real (deflacionado) | -0,2% |
Do lado das políticas públicas, estes números serão observados com atenção pelo governo e pelo banco central: a evolução nominal positiva pode sustentar receitas fiscais e aliviar curto-prazo as contas das empresas, mas a queda em termos reais exige vigilância sobre produtividade, salários e inflação subjacente. Para as empresas, torna-se crucial distinguir crescimento de volume de crescimento de preços e ajustar estratégias de preços, custos e investimento em conformidade.
Em suma, o relatório do INE aponta para um sector de serviços em recuperação nominal, mas com sinais de fragilidade quando eliminado o efeito dos preços — um quadro que impõe cautela às decisões económicas no horizonte próximo.