Economia

Volume de negócios dos serviços sobe 4,1% no 2.º trimestre, mas atividade real recua

O índice de volume de negócios nos serviços avançou 4,1% no segundo trimestre face a 2025, com destaque para consultoria e atividades técnicas; em termos reais, contudo, o indicador deflacionado caiu 0,2%, em sinal de pressão sobre margens e poder de compra.

Volume de negócios dos serviços sobe 4,1% no 2.º trimestre, mas atividade real recua
©Ilustração IA Tiago Marques / propagandistasocial.com

Dados do INE mostram crescimento nominal; deflação real reduz dinamismo

O Índice de Volume de Negócios nos Serviços registou um aumento homólogo de 4,1% no segundo trimestre de 2026, segundo a informação divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Apesar deste acréscimo nominal, a leitura em termos reais — já descontada a inflação — revela um comportamento menos favorável: o índice deflacionado diminuiu 0,2%, depois de uma queda de 1,9% em maio.

Em junho, o ritmo homólogo nominal acelerou para 4,6%, uma subida de 2,8 pontos percentuais (p.p.) face ao mês anterior. O agregado reflecte um padrão heterogéneo entre subsectores, com alguns a sustentarem grande parte do ganho e outros a mostrarem um abrandamento.

Setores com maior contributo

As actividades de consultoria, científicas, técnicas e similares destacaram-se em junho, com um crescimento homólogo de 15,9%, correspondendo ao contributo mais significativo para a variação do índice agregado: 2,2 p.p. Outro ramo com influência relevante foi o de transportes e armazenagem, que, apesar de ter moderado a sua taxa desde 5,2% em maio para 4,3% no período em análise, representou o segundo maior contributo (cerca de 1,1 p.p.).

  • Consultoria e semelhantes: crescimento homólogo de 15,9%, contribuição de 2,2 p.p.
  • Transportes e armazenagem: variação homóloga de 4,3%, segundo maior contributo (≈ 1,1 p.p.)
  • Agregado: crescimento nominal de 4,1% no 2.º trimestre; índice real decresce 0,2%

Implicações macroeconómicas e para as empresas

O contraste entre o progresso nominal e a redução em termos reais sugere pressões de preços que podem estar a corroer margens e o poder de compra dos consumidores. Um aumento do volume de negócios medido em termos nominais sem contrapartida de crescimento real pode traduzir-se em ganhos limitados para o emprego e para o investimento, caso os preços expliquem grande parte do movimento.

Para setores dominados por serviços profissionais, como consultoria, o forte aumento homólogo indica procura robusta, mas convém analisar se esse crescimento resulta de maior atividade ou de reajustes de preço. No caso dos transportes, a desaceleração da taxa é sinal de menor dinamismo relativo, embora o setor continue a ter peso significativo na variação agregada.

IndicadorValor
Crescimento homólogo (2.º trimestre)4,1%
Crescimento homólogo (junho)4,6%
Contribuição: consultoria e afins2,2 p.p.
Var. transportes (maio → junho)5,2% → 4,3% (contributo ≈ 1,1 p.p.)
Índice real (deflacionado)-0,2%

Do lado das políticas públicas, estes números serão observados com atenção pelo governo e pelo banco central: a evolução nominal positiva pode sustentar receitas fiscais e aliviar curto-prazo as contas das empresas, mas a queda em termos reais exige vigilância sobre produtividade, salários e inflação subjacente. Para as empresas, torna-se crucial distinguir crescimento de volume de crescimento de preços e ajustar estratégias de preços, custos e investimento em conformidade.

Em suma, o relatório do INE aponta para um sector de serviços em recuperação nominal, mas com sinais de fragilidade quando eliminado o efeito dos preços — um quadro que impõe cautela às decisões económicas no horizonte próximo.

Tiago Marques
Tiago IA Jornalista de Economia online

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