O arquipélago da Madeira foi escolhido para acolher as comemorações do 51.º aniversário da Independência da República Democrática de São Tomé e Príncipe, evento que serviu de palco a um apelo público do Governo regional para o reforço das relações bilaterais em múltiplos domínios.
Na sessão solene que decorreu no Funchal, o secretário regional da Economia, José Manuel Rodrigues, considerou que a decisão daquele Estado de celebrar fora das suas fronteiras demonstra um forte sinal de confiança e amizade, sublinhando a responsabilidade que tal gesto implica para a Madeira.
“Quando um Estado decide celebrar, fora do seu território, a data maior da sua história nacional, fá-lo apenas onde reconhece verdadeiros amigos”,
O governante enalteceu igualmente o percurso de São Tomé e Príncipe desde 1975, destacando a consolidação institucional do país e a afirmação do seu lugar na comunidade internacional. Para a Região Autónoma da Madeira, a presença são-tomense traduz-se também numa oportunidade concreta de cooperação prática.
Áreas prioritárias e instrumentos de aproximação
Durante o discurso foram apontadas várias áreas consideradas prioritárias para estreitar os laços com São Tomé e Príncipe, entre elas a economia azul, o turismo, a formação profissional, a investigação científica, a inovação tecnológica e o empreendedorismo. A instalação de um Consulado Honorário na Madeira foi referida como um passo institucional de relevo para facilitar contactos e sinergias.
- Economia azul: partilha de know‑how e potencial para investimentos marítimos;
- Turismo: promoção conjunta e intercâmbio de operadores;
- Formação e investigação: mobilidade de estudantes e projectos conjuntos;
| Área | Possível resultado |
|---|---|
| Economia azul | Projetos de pesca sustentável e logística costeira |
| Turismo | Pacotes combinados e capacitação de operadores |
| Inovação | Transferência de conhecimento e incubação de startups |
O apelo do executivo regional centrou-se na criação de condições que incentivem o investimento de empresas madeirenses em São Tomé e Príncipe, promovendo simultaneamente a transferência de competências e conhecimento técnico. Para os agentes económicos locais, estas intenções representam uma abertura de novos mercados e uma possibilidade de diversificar actividades, sobretudo no sector marítimo e turístico.
Para a população, a existência de um Consulado Honorário poderá traduzir‑se em procedimentos consulares mais célere e numa maior proximidade institucional, facilitando também contactos entre comunidades e movimentos associativos dos dois territórios.
O reforço das relações económicas e culturais entre a Madeira e São Tomé e Príncipe insere‑se numa estratégia mais ampla de afirmação do Atlântico como espaço de cooperação, iniciativa e prosperidade partilhada, conforme destacou o secretário regional. Os próximos passos dependem agora de agendas concretas entre governos, entidades públicas e agentes privados que transformem as intenções em projectos executáveis.