O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, voltou a afastar a hipótese de criar uma taxa de congestionamento para veículos que entrem na cidade, afirmando que seria inaceitável “castigar as pessoas com mais impostos”. A posição foi expressa durante a apresentação do estudo "Tendências Urbanas de Mobilidade 2026 – AM Lisboa", elaborado pelo Automóvel Clube Português (ACP).
Moedas justificou a decisão realçando que cidades que adotaram taxas de cobrança de acesso automóvel têm realidades económicas e sociais distintas das de Lisboa, argumento que já tinha sido utilizado por si desde que iniciou o segundo mandato à frente da autarquia.
“Para mim, é absolutamente impensável estar a castigar as pessoas com mais impostos.”
No lugar de medidas restritivas desse tipo, a estratégia da Câmara tem-se centrado no reforço da oferta de transportes públicos e em medidas destinadas a condicionar o uso de veículos mais poluentes. Entre as ações já implementadas destacam‑se as zonas de emissões reduzidas (ZER), organizadas em duas áreas (Zona 1 e Zona 2), que limitam a circulação de veículos antigos com base nas normas ambientais europeias, e a criação de parques de estacionamento dissuasores na periferia.
Comparação com outras capitais e medidas em curso
A reportagem do estudo citada pelo autarca lembra que em cidades como Londres existe cobrança direta para entrar no centro, aplicável a carros elétricos e de combustão. O argumento de Moedas foi que essas cidades são “muito mais ricas” e com níveis de vida distintos dos lisboetas, pelo que medidas idênticas não seriam adequadas para a realidade local.
- Medidas actuais em Lisboa: ZER (Zona 1 e Zona 2), reestruturação dos passes metropolitanos, parques dissuasores.
- Estratégia da Câmara: aumentar a oferta de transportes em vez de penalizar a circulação automóvel.
- Desafio: centenas de milhares de veículos entram diariamente na cidade, pressionando ar e fluidez.
Os números concretos acerca do volume diário de veículos que entram em Lisboa não são detalhados no estudo citado, mas o texto sublinha a magnitude do tráfego diário e a persistente pressão sobre a qualidade do ar e a mobilidade urbana.
| Cidade | Política citada | Exemplo de cobrança |
|---|---|---|
| Lisboa | Reforço da oferta de transportes; ZER; parques dissuasores | Sem taxa de congestionamento |
| Londres | Taxa de congestionamento | Elétricos: 13,5 libras (~15 €); combustão: 18 libras (~20 €) |
A posição de Moedas mantém o foco nas alternativas à circulação automóvel, mas coloca a autarquia perante o desafio de ampliar e tornar mais atractiva a rede de transportes públicos e os modos suaves. A eficácia destas medidas será acompanhada por indicadores de qualidade do ar, tempos de deslocação e utilização dos parques dissuasores, aspetos que terão impacto direto na vida quotidiana dos residentes e de quem trabalha na cidade.
Para os lisboetas, a decisão municipal significa que, por agora, não haverá um custo directo adicional na forma de taxa de acesso ao centro. Resta observar como evoluirá a oferta de transportes e se futuras avaliações técnicas ou pressão pública poderão conduzir a ajustes na política de gestão do tráfego urbano.