O saxofonista norte‑americano Plas Johnson morreu aos 94 anos, anunciaram os filhos ao The New York Times. A sua interpretação a solo da melodia composta por Henry Mancini para a comédia The Pink Panther, de 1963, permaneceu como uma das imagens sonoras mais reconhecíveis do cinema do mesmo século.
Um som associado a uma personagem
A composição de Mancini, concebida originalmente para o filme protagonizado por Peter Sellers no papel do inspector Jacques Clouseau, ganhou visibilidade mundial também graças ao timbre e à fraseologia que Johnson imprimiu ao saxofone. Na autobiografia de Mancini, o compositor admitiu que escreveu o tema pensando especificamente no músico, selecionando «os meus músicos com antecedência e componho para e à volta deles», numa estratégia que sobrenada aqui.
“Quase sempre escolho os meus músicos com antecedência e componho para e à volta deles, e Plas tinha o som e o estilo que eu queria”.
O tema arrecadou três Grammy e recebeu uma nomeação para os Óscares, e foi, segundo o American Film Institute, considerado uma das melhores partituras da história do cinema. A gravação inicial, recordada pela lenda da indústria musical, foi feita em apenas dois takes numa madrugada — um detalhe que reforça a aura quase mítica em torno daquele solo.
Carreira de estúdio e colaborações
Filho de músicos — uma mãe pianista e um pai saxofonista —, Plas Johnson nasceu a 21 de julho de 1931, em Donaldsonville, Louisiana. Recebeu o seu primeiro saxofone na adolescência e, após uma passagem pelo exército, transferiu‑se para Los Angeles nos anos 50, onde se tornou requisitado como músico de estúdio.
Ao longo da sua carreira, colaborou em gravações com nomes como Frank Sinatra, Nat King Cole, Ella Fitzgerald, Sam Cooke, Marvin Gaye, B.B. King, Rod Stewart e Linda Ronstadt. Sobre a sua abordagem, Johnson afirmou, em entrevista, que limitava‑se a «fazer o que lhe pediam» e que a sua forma de tocar agradava aos artistas com quem trabalhava.
“Os olhos ficam arregalados quando conto às pessoas que fui eu quem o tocou”.
Legado e reconhecimento
O solo de Johnson tornou‑se um exemplo de como um intérprete pode marcar indissoluvelmente uma composição, elevando a peça a elemento identitário de uma personagem cinematográfica e de uma franquia cultural. A banda sonora de Mancini continuou a ser celebrada em múltiplos contextos e a influenciar gerações de músicos e audiências.
- Plas Johnson — nascido a 21 de julho de 1931, Donaldsonville, Louisiana.
- Idade à data da morte: 94 anos.
- Obra mais conhecida: solo de saxofone em Theme from The Pink Panther (1963), de Henry Mancini.
- Prémios associados à banda sonora: 3 Grammy e nomeação para Óscar.
| Facto | Detalhe |
|---|---|
| Nascimento | 21/07/1931, Donaldsonville, Louisiana |
| Idade | 94 anos |
| Obra emblemática | Theme from The Pink Panther (1963) |
| Prémios | 3 Grammy; nomeação para Óscar |
O anúncio da sua morte surge acompanhado das memórias de uma carreira de estúdio sólida, em que a capacidade de adaptação e o som característico do saxofone de Johnson o tornaram peça procurada por grandes nomes da música popular norte‑americana. Para além do impacto imediato da notícia, fica a marca de um intérprete cujo fraseado ajudou a definir o imaginário sonoro de um dos filmes mais divertidos e perduráveis do cinema de comédia.
O legado de Plas Johnson será, por isso, estudado tanto por historiadores da música de cinema como por músicos que procuram compreender como a combinação entre composição e interpretação pode criar temas universais.