Ativistas transformam muro em porta-voz das dificuldades habitacionais
Uma dezena de jovens do movimento Porta a Porta – Casa para Todos pintou esta quinta-feira um mural em Coimbra para expor o que definem como problemas crescentes no mercado de arrendamento local. A intervenção, visível junto da Praça 25 de Abril, insere-se na semana nacional de luta pela habitação e pretende amplificar reclamações sobre o aumento das rendas e práticas consideradas abusivas por senhorios.
"As paredes das cidades não têm que ser mudas e podem falar aquilo que muitos de nós querem dizer"
O local foi escolhido pela sua visibilidade e pelo simbolismo histórico associado à praça, recordando o papel das políticas públicas na consagração da habitação como direito essencial. Os promotores da ação afirmam que as queixas que recebem referem, em especial, a situação de estudantes e de jovens trabalhadores que se deparam com contratos precários ou com a ausência destes.
Em comunicado e em declarações à agência Lusa, os participantes sublinharam três pontos centrais:
- Aumento das rendas e pressão sobre orçamentos familiares e de estudantes;
- Exigências de caução e outras práticas que dificultam o acesso à habitação;
- Falta de contratos formais em muitos arrendamentos, situação que acentua a vulnerabilidade dos inquilinos.
Os ativistas alertam para o risco de discriminação decorrente de alterações legislativas que flexibilizem a caução, argumentando que isso pode permitir que senhorios imponham barreiras invisíveis ao acesso à habitação. Para além da denúncia pública, a iniciativa pretende sensibilizar a população e pressionar por medidas que protejam inquilinos e promovam arrendamentos mais justos e transparentes.
O mural incorpora uma mensagem direta contra as práticas que, segundo o movimento, têm empurrado muitos jovens para situações de maior precariedade: a frase pintada critica o aumento das cauções e apela à resistência coletiva. A ação contou com a participação de membros do movimento com diferentes perfis profissionais, incluindo um advogado e um analista de dados, que destacaram as consequências sociais e económicas da crise habitacional para quem estuda e trabalha na cidade.
| Item | Descrição |
|---|---|
| Local | Praça 25 de Abril, Coimbra |
| Organizadores | Porta a Porta – Casa para Todos |
| Participantes | Cerca de uma dezena de jovens |
| Objetivo | Denunciar aumento de rendas e práticas discriminatórias no arrendamento |
Para os moradores e estudantes de Coimbra, a ação localiza um problema já sentido na cidade e enfatiza a necessidade de respostas políticas e administrativas que garantam contratos claros, acesso a habitação com custos compatíveis com rendimentos e mecanismos que coíbam práticas discriminatórias. O movimento espera que a visibilidade do mural contribua para um debate público mais alargado e para propostas concretas por parte das autoridades locais e nacionais.