O número de imóveis disponíveis para arrendamento de longa duração em Portugal caiu 22% no segundo trimestre de 2026, face ao mesmo período de 2025, totalizando 40.716 habitações, segundo os dados divulgados pelo portal imobiliário Idealista. Entre as capitais de distrito, é Coimbra que regista a diminuição mais acentuada: a oferta caiu 58%.
Impacto local e leitura dos dados
Para o mercado habitacional do distrito de Coimbra, a quebra de disponibilidade traduz‑se em maior pressão sobre as famílias à procura de casa, risco de aumento de rendas e dificuldades acrescidas para estudantes e trabalhadores com contratos temporários. A redução mais pronunciada entre as grandes cidades coloca Coimbra numa situação singular, acompanhada pelo Porto, que apresentou uma descida de 52%, enquanto Lisboa registou uma queda de 27%.
- Oferta nacional: -22%, total de 40.716 imóveis;
- Coimbra: -58% (maior redução entre as capitais de distrito);
- Porto: -52%;
- Lisboa: -27%.
O portal destaca que, apesar da queda global, a oferta aumentou em 14 dos 20 territórios analisados, com destaque para localidades do interior e ilhas. Exemplo disso são Beja, com um aumento de 65%, e o Funchal, com 58% de subida.
"Os aumentos percentuais mais elevados registados em algumas cidades devem ser interpretados com cautela, uma vez que correspondem, em muitos casos, a apenas 'algumas dezenas de imóveis adicionais', devido à reduzida dimensão desses mercados. O problema real do arrendamento em Portugal concentra-se nos grandes centros urbanos, onde a oferta continua a cair e a pressão sobre as famílias é mais intensa", afirmou Ruben Marques.
Consequências práticas para residentes e autarquias
A diminuição da oferta em Coimbra tem repercussões concretas:
- possível subida das rendas, pelo desequilíbrio entre procura e oferta;
- maior dificuldade de colocação para estudantes e jovens profissionais;
- pressão sobre serviços de apoio social e medidas de gestão municipal.
As autarquias e entidades locais podem ser chamadas a reforçar políticas de arrendamento acessível, fiscalização do mercado e incentivos à disponibilização de imóveis para longa duração. Para quem procura casa, a leitura dos dados implica maior rapidez na procura, diversificação de zonas consideradas e atenção a opções como contratos com garantias partilhadas ou cooperação com associações estudantis e sociais.
| Indicador | Variação (%) |
|---|---|
| Portugal (oferta total) | -22% |
| Coimbra | -58% |
| Porto | -52% |
| Lisboa | -27% |
Os dados do Idealista evidenciam uma tendência que privilegia deslocações da procura para áreas onde a oferta se mantém mais resiliente. Em Coimbra, a urgência está em articular medidas locais que contrariem a quebra abrupta de oferta e protejam os segmentos mais vulneráveis da população.