O Museu e Igreja de São Roque, em Lisboa, acolhe entre 2 de julho e 30 de agosto de 2026 uma exposição que recupera a devoção ao Menino Jesus dos Atribulados, uma prática religiosa de forte raiz popular documentada na primeira metade do século XIX. A iniciativa recupera narrativas locais e objectos associados a uma cura atribuída a uma pintura venerada num convento lisboeta.
Uma devoção com marca feminina
A mostra centra-se numa história ocorrida em 1817, numa Lisboa ainda a recompor-se das consequências das invasões francesas: uma órfã do Recolhimento da Rua da Rosa terá sido curada de uma paralisia, facto que passou a ser atribuído a uma representação do Menino Jesus existente no convento das Trinas do Mocambo. O episódio foi acompanhado por testemunhos, incluindo o do médico que assistiu a jovem, e ganhou ampla difusão.
Os estudiosos que nortearam a programação realçam que a devoção associada a este nome parece ter sido maioritariamente feminina e de carácter popular, espalhando-se sobretudo nos primeiros anos do século XIX, quando a vida social e política se encontrava “atribulada”.
- Exposição com peças de pintura e escultura de oratório;
- Documentação do milagre de 1817 e testemunhos da época;
- Peça oferecida ao Museu de São Roque em 2009 como ponto de referência da mostra.
Além da pintura original, a devoção materializou-se em objectos como pagelas, amuletos e esculturas de vulto destinadas a oratórios domésticos. Um desses exemplares, doado ao acervo do Museu em 2009, é um dos elementos que motivaram a realização da exposição.
Visitas e condições
As visitas à exposição são gratuitas, mas exigem marcação prévia. O acesso é limitado: cada sessão comporta um máximo de 20 participantes, um cuidado que se traduz na necessidade de reserva antecipada por parte dos interessados.
| Data | Hora |
|---|---|
| 2 jul 2026 | 14:30 |
| 9 jul 2026 | 14:30 |
| 16 jul 2026 | 14:30 |
| 23 jul 2026 | 14:30 |
| 30 jul 2026 | 14:30 |
| 6 ago 2026 | 14:30 |
| 13 ago 2026 | 14:30 |
Para além do calendário de sessões, a organização indica que a participação é dirigida a adultos e que os interessados devem contactar o serviço do Museu para reservar lugar. A informação disponibilizada realça a necessidade de marcação e os limites de lotação como forma de garantir uma experiência adequada junto das peças e dos espaços sacros.
Para os residentes e visitantes de Lisboa, a mostra oferece uma oportunidade de conhecer um capítulo específico da religiosidade urbana e das expressões materiais de devoção que marcaram a cidade no período pós-napoleónico. A exposição permite perceber como imagens e objectos de fé circulavam entre conventos e lares, e como episódios singulares, como o relato de 1817, contribuíram para a consolidação de práticas devocionais com forte significado comunitário.