O subsecretário-geral das Nações Unidas e Alto Representante para a Aliança das Civilizações, Miguel Moratinos, afirmou esta quarta-feira em Luanda que a cimeira em curso pretende lançar um apelo claro ao fim dos confrontos armados e à promoção da tolerância. No final de uma audiência com o Presidente angolano, João Lourenço, Moratinos realçou o papel de Angola, país que viveu décadas de guerra civil, como exemplo de que a paz é a via para o progresso e a estabilidade.
Uma iniciativa com trajectória histórica
Segundo o representante das Nações Unidas, a iniciativa já teve edições em locais carregados de significado histórico, como Guernica e Sarajevo, cidades marcadas por bombardeamentos e cerco durante conflitos do século XX. A escolha de Luanda para a 3.ª edição pretende, nas palavras do subsecretário-geral, somar vozes em defesa do desarmamento e do respeito pelo direito internacional, com o objectivo de «salvar o planeta e a humanidade».
Agenda e intervenções
O programa da cimeira inclui, para o primeiro dia, um foco na memória da pacificação em Angola, com a deposição de uma coroa de flores no monumento ao soldado desconhecido e sessões de abertura onde intervirão o chefe de Estado angolano, representantes da União Africana e mensagens do secretário-geral da ONU. Estão dirigidos convites a vários países africanos para participarem no encontro, entre os quais a República Democrática do Congo, a República Centro-Africana, a Namíbia, a Libéria, Cabo Verde e a República do Congo.
Religião, juventude e mediação
O segundo dia da iniciativa irá concentrar-se no papel dos líderes religiosos e na participação da juventude, sectores que a organização considera cruciais para a construção de sociedades mais tolerantes. Moratinos destacou ainda os esforços pessoais do Presidente angolano na mediação de conflitos na região, apontando para a responsabilidade dos actores nacionais e internacionais em avançar para soluções políticas e não militares.
Significado e consequências
A realização em Luanda desta cimeira da Aliança das Civilizações confere visibilidade internacional ao percurso pós-conflito de Angola e realça a aposta do país como palco para iniciativas de paz na África subsariana. Para a diplomacia angolana, a iniciativa representa uma oportunidade para reforçar a imagem de um Estado empenhado em promover o diálogo e a cooperação regional, ao mesmo tempo que projeta compromissos com o respeito pelo direito internacional e a resolução pacífica de disputas.
"Em Luanda é a terceira edição, com o objetivo de que, todos juntos, sob a liderança do Presidente, avancemos para um mundo muito mais pacífico, em paz e tolerante. Temos de salvar o planeta e a humanidade."
- Objectivo: apelo ao fim das guerras e promoção da paz.
- Participação: intervenções de chefe de Estado, União Africana e secretário-geral da ONU.
- Foco do 2.º dia: líderes religiosos e juventude.
| Elemento | Descrição |
|---|---|
| Local | Luanda |
| Edição | 3.ª da Iniciativa da Aliança das Civilizações |
| Convidados | Rep. Democrática do Congo; Rep. Centro-Africana; Namíbia; Libéria; Cabo Verde; Rep. do Congo |
A presença de um alto representante das Nações Unidas e o destaque público aos esforços do Presidente angolano trazem, por ora, um reforço simbólico à narrativa de reconciliação e de liderança diplomática regional. Resta acompanhar como as recomendações e mensagens da cimeira serão traduzidas em iniciativas concretas para a prevenção de conflitos e para a inclusão das gerações mais novas no projecto de uma paz sustentável.