A Universidade Nova de Lisboa anunciou a criação do Centro de Estudos e Documentação Adília Lopes (CEDAL), destinado a conservar, estudar e dar acesso ao espólio deixado pela poetisa, cuja obra marcou o panorama literário contemporâneo. A inauguração está prevista para setembro, informou à agência Lusa a coordenadora do projeto, Joana Meirim.
O que integra o acervo
O espólio doado pelas herdeiras inclui documentos de estudo essenciais para investigadores e para a leitura crítica da obra: manuscritos, datiloscritos, cadernos e textos de vários géneros literários, além de uma componente central — a biblioteca pessoal da autora, com notas de leitura e anotações marginais (“marginália”). O centro incorporará também algumas obras de arte que dialogam com a obra da escritora e objetos citados nos seus textos.
“Um espaço único que consegue integrar várias dimensões do legado intelectual”, afirmou Joana Meirim, responsável pelo projeto.
Missão e atividades previstas
O CEDAL pretende funcionar como plataforma de trabalho académico e lugar de extensão para a comunidade. Está prevista a constituição de uma comissão científica e de uma comissão externa de acompanhamento. Entre as atividades anunciadas estão:
- inventário, descrição, catalogação e digitalização do espólio;
- organização de seminários e ciclos de estudos dedicados à autora;
- programas de extensão universitária dirigidos à comunidade mais vasta.
A Fundação Calouste Gulbenkian já apoia parte do projeto, financiando o trabalho de inventariação e digitalização apresentado pela equipa do CEDAL. A coordenação adiantou haver a expectativa de formalizar parcerias adicionais com outras instituições, a nível nacional e internacional.
Impacto local e importância para investigação
Para a comunidade académica e cultural de Lisboa, a criação do CEDAL representa uma oportunidade de aprofundar estudos sobre a produção de Adília Lopes e de promover iniciativas de difusão cultural. O acesso à biblioteca pessoal e às marginálias permitirá análises mais detalhadas da génese dos textos e das intersecções entre literatura e artes plásticas na obra da autora.
Além do valor científico, o centro tem uma função de arquivo público: salvaguardar materiais que, sem a institucionalização, poderiam ficar dispersos ou inacessíveis. A previsão de actividades de extensão significa ainda que o CEDAL poderá ser um recurso direto para escolas, mediadores culturais e público interessado na cidade de Lisboa.
| Item | Conteúdo |
|---|---|
| Abertura | Setembro |
| Instituição anfitriã | Universidade Nova de Lisboa |
| Componentes do espólio | Manuscritos, datiloscritos, cadernos, biblioteca pessoal, obras de arte, objetos |
| Apoio confirmado | Fundação Calouste Gulbenkian |
O CEDAL surge assim como um novo pólo de interesse cultural no distrito de Lisboa, com potencial para atrair investigação nacional e internacional e para enriquecer a oferta cultural e educativa local. A coordenação anunciou que em setembro será divulgado um plano estratégico detalhado de atividades.