Companhia celebra meio século com proposta que cruza tradições
A companhia O Bando assinala os 50 anos de existência com a estreia de Irmã Santomense, espetáculo que fecha uma tetralogia dedicada à recolha de contos populares de Ásia e Médio Oriente, e que agora volta o seu olhar para tradições de São Tomé e Príncipe. A nova criação mantém a aposta em teatro de rua e em linguagens colectivas que marcaram as restantes peças do ciclo.
Depois de Irmã Persa (2023), Irmã Palestina (2024) e Irmã Mapuche (2025), o grupo dirigido por João Brites propõe, nesta última entrega, uma abordagem que incorpora formalmente o Tchiloli — forma híbrida de teatro, música e dança praticada em São Tomé e Príncipe — como matriz estética e dramatúrgica.
O encenador Miguel Jesus sublinha a intenção de estabelecer «uma ligação fácil e imediata, mas nem por isso mesmo profunda e significativa com o espectador». A partir de contos de tradição oral, jocosos e desbragados, o espectáculo convoca a participação do público e levanta questões sobre a recepção do perdão: «Afinal, será esta Xerazade poupada a um fim trágico graças ao poder das suas histórias?»
«Usamos contos jocosos, desbragados, de tradição oral, e desafiamos o público a participar na festa e a revelar a forma como entende o perdão.»
O espectáculo estreou em Palmela, sede da companhia, onde foi bem recebido pelo público, e mantém uma curta itinerância nacional. O elenco integra Adozia Cristo, Diogo Rocha, Fabian Bravo, Mick Trovoada, Nicolas Brites e Rita Brito, intérpretes que, segundo os responsáveis, partilham uma proposta em que a representação não procura esquivar‑se à realidade, antes reconhecer problemas e sublinhar a capacidade humana para a felicidade.
Agenda e paragens previstas
| Data | Local |
|---|---|
| 17 e 18 de julho | Jardins do Bombarda, Lisboa |
| 29 de julho | Largo do Romal, Coimbra |
| 4 de setembro | Festa do Avante, Seixal |
| 10 de setembro | Biblioteca Municipal, Guarda |
Esta circulação curta pela capital e por várias cidades do país pretende reforçar o contacto directo com públicos diversos, privilegiando a fruição ao ar livre e a natureza festiva da proposta. A peça insere‑se também no balanço crítico e institucional dos cinquenta anos de uma companhia que é referência no panorama teatral português.
Elementos centrais da proposta
- Recurso ao Tchiloli como matriz formal e estética;
- Intervenção colectiva e convite à participação do público;
- Fecho de uma tetralogia sobre contos populares iniciada em 2023.
Com esta nova etapa, O Bando reafirma uma trajectória que alia pesquisa sobre tradições orais e práticas cénicas contemporâneas, mantendo o diálogo com expressões culturais lusófonas e com públicos nacionais, ao mesmo tempo que explora temas universais como a narrativa e o perdão.