O Partido Comunista Português intensificou nos últimos dias a exigência para que o Governo desencadeie, de forma urgente, os processos necessários à expansão do Metro Ligeiro de Superfície na Península de Setúbal. Para o partido, a oferta de transportes públicos disponível já não corresponde às necessidades dos habitantes nem ao desenvolvimento económico verificado na região.
Uma resposta às falhas de mobilidade
O PCP aponta que, ao longo das últimas décadas, verificou‑se um incremento sustentado de população e de atividade económica na Península de Setúbal sem que tenha havido, em paralelo, um reforço da infraestrutura de transportes capaz de absorver essa pressão. A consequência imediata, segundo o partido, tem sido o recurso crescente ao automóvel particular, o agravamento do congestionamento e o prolongamento dos tempos de deslocação.
Os comunistas recordam promessas governamentais antigas — referindo um atraso que se prolonga há quase 20 anos — e sustentam que estudos técnicos apontam para a necessidade de alargar a rede de superfície. A proposta do PCP inclui a integração de novos troços que serviriam diversos concelhos da península, com o objetivo declarado de melhorar a qualidade de vida dos residentes e reduzir a dependência das vias rodoviárias.
- Concelhos visados: Seixal, Barreiro, Moita, Montijo e Alcochete.
- Ligações complementares propostas: Trafaria e Costa da Caparica.
- Objetivo político: obrigar o Governo a iniciar os procedimentos administrativos e técnicos necessários.
Do ponto de vista prático, o PCP defende que o investimento na rede ferroviária ligeira seria uma alavanca para reduzir os tempos de deslocação diários, mitigar os congestionamentos e tornar mais eficiente a ligação entre os eixos residenciais e os polos de emprego da região.
| Elemento | Conteúdo |
|---|---|
| Proponente | Partido Comunista Português (PCP) |
| Áreas propostas | Seixal, Barreiro, Moita, Montijo, Alcochete, Trafaria, Costa da Caparica |
| Duração do atraso referida | Quase 20 anos |
Para os habitantes, a materialização de um projeto desta escala implica não só obras e reorganização de tráfego, como também planeamento das interfaces com autocarros, parques de estacionamento e redes cicláveis. A natureza modular dos sistemas de metro ligeiro permite ligações urbanas e suburbanas, mas depende de decisões políticas e de financiamento que ainda não foram finalizadas.
No plano regional, a proposta coloca questões sobre prioridades de investimento e calendários: quais os troços a executar primeiro, a calendarização das obras, fontes de financiamento e a articulação com operadores locais e metropolitanos. Até que essas questões sejam clarificadas e os procedimentos sejam oficialmente abertos, o PCP considera que a mobilidade continuará a sofrer com adiamentos sucessivos.
Enquanto se aguarda uma resposta do Governo, a pressão política do PCP traz para o centro do debate local a discussão sobre como conjugar crescimento urbano e acessibilidade, e sobre que modelos de transporte serão mais eficazes para a Península de Setúbal nas próximas décadas.