Partido defende respostas claras sobre capacidade e encaminhamentos
O PCP interpôs um conjunto de perguntas ao presidente da Assembleia da República, dirigidas ao Governo através do Ministério da Saúde, exigindo esclarecimentos sobre a situação das urgências de ginecologia e obstetrícia que servem a Península de Setúbal. Os comunistas afirmam que a criação das chamadas “urgências regionais” não resolve os problemas de capacidade e organização que têm afetado grávidas e serviços hospitalares locais.
No núcleo do pedido está a situação do Hospital Garcia de Orta, em Almada, unidade que, segundo o PCP, tem sido incapaz de receber toda a procura relacionada com a Península desde a implementação das urgências regionais. O partido quer dados precisos e pormenorizados sobre os encaminhamentos e os recursos humanos envolvidos.
“não é a solução para garantir às grávidas os cuidados de saúde que têm direito”
Entre as solicitações figuram números sobre as mulheres grávidas encaminhadas para hospitais fora da Península de Setúbal desde a entrada em funcionamento do novo modelo, a identificação das unidades para onde foram remetidas e o contingente de médicos e enfermeiros afeto a estas urgências, com indicação do seu local de origem.
- Quantas grávidas foram encaminhadas para fora da Península desde a mudança?
- Quais os hospitais receptores desses encaminhamentos?
- Quantos especialistas de ginecologia e obstetrícia existem, por unidade hospitalar?
- Que variações de quadro clínico (entradas e saídas) ocorreram nos últimos cinco anos?
- Que medidas tomou o Ministério da Saúde para repor recursos humanos e garantir resposta adequada?
O PCP pede ainda a lista de médicos de ginecologia e obstetrícia existentes, por hospital, no Hospital Garcia de Orta, no Hospital de Nossa Senhora do Rosário e no Hospital de São Bernardo, bem como o efetivo que deveria existir para assegurar o funcionamento adequado das urgências. Os deputados questionam igualmente se houve saída de especialistas desde o início do ano e quantos profissionais ingressaram ou abandonaram essas unidades nos últimos cinco anos.
Os comunistas lembram que se opuseram previamente à criação das urgências regionais na Península de Setúbal e afirmam que, passado um curto período de aplicação, «a vida está a demonstrar» limitações do modelo, nomeadamente ao nível da capacidade do Garcia de Orta para responder a uma carga elevada de partos e urgências obstétricas.
| Hospital | Assuntos pedidos ao Ministério |
|---|---|
| Hospital Garcia de Orta (Almada) | Encaminhamentos, número de especialistas, entradas/saídas, medidas de reforço |
| Hospital de Nossa Senhora do Rosário | Quadro de especialistas por unidade e fluxos de utentes |
| Hospital de São Bernardo | Idem |
Para os habitantes da Península de Setúbal, o desfecho deste pedido é relevante: esclarecimentos públicos e medidas concretas podem traduzir-se em alterações na logística de encaminhamento de grávidas, na disponibilidade de partos na região e na organização das urgências hospitalares. A falta de especialistas ou a concentração excessiva de serviços numa única unidade poderá implicar deslocações superiores para utentes em trabalho de parto e pressões acrescidas sobre equipas locais.
O próximo passo será a resposta do Ministério da Saúde às questões apresentadas na Assembleia. A comunidade médica, as administrações dos hospitais referidos e as autoridades locais provavelmente serão chamadas a comentar os dados solicitados pelo PCP, cujo teor poderá influenciar debates sobre reforço de equipas, investimentos ou revisão do modelo das urgências regionais na Península.