Saúde Almada Distrito de Setúbal

PCP exige esclarecimentos ao Governo sobre funcionamento das urgências de ginecologia na Península de Setúbal

Os deputados do PCP enviaram sete perguntas ao presidente da Assembleia da República sobre encaminhamentos de grávidas, número de especialistas e medidas de reforço nos hospitais que servem a Península de Setúbal, após sinais de sobrecarga no Hospital Garcia de Orta.

PCP exige esclarecimentos ao Governo sobre funcionamento das urgências de ginecologia na Península de Setúbal
©Ilustração IA Hugo Palma / propagandistasocial.com

Partido defende respostas claras sobre capacidade e encaminhamentos

O PCP interpôs um conjunto de perguntas ao presidente da Assembleia da República, dirigidas ao Governo através do Ministério da Saúde, exigindo esclarecimentos sobre a situação das urgências de ginecologia e obstetrícia que servem a Península de Setúbal. Os comunistas afirmam que a criação das chamadas “urgências regionais” não resolve os problemas de capacidade e organização que têm afetado grávidas e serviços hospitalares locais.

No núcleo do pedido está a situação do Hospital Garcia de Orta, em Almada, unidade que, segundo o PCP, tem sido incapaz de receber toda a procura relacionada com a Península desde a implementação das urgências regionais. O partido quer dados precisos e pormenorizados sobre os encaminhamentos e os recursos humanos envolvidos.

“não é a solução para garantir às grávidas os cuidados de saúde que têm direito”

Entre as solicitações figuram números sobre as mulheres grávidas encaminhadas para hospitais fora da Península de Setúbal desde a entrada em funcionamento do novo modelo, a identificação das unidades para onde foram remetidas e o contingente de médicos e enfermeiros afeto a estas urgências, com indicação do seu local de origem.

  • Quantas grávidas foram encaminhadas para fora da Península desde a mudança?
  • Quais os hospitais receptores desses encaminhamentos?
  • Quantos especialistas de ginecologia e obstetrícia existem, por unidade hospitalar?
  • Que variações de quadro clínico (entradas e saídas) ocorreram nos últimos cinco anos?
  • Que medidas tomou o Ministério da Saúde para repor recursos humanos e garantir resposta adequada?

O PCP pede ainda a lista de médicos de ginecologia e obstetrícia existentes, por hospital, no Hospital Garcia de Orta, no Hospital de Nossa Senhora do Rosário e no Hospital de São Bernardo, bem como o efetivo que deveria existir para assegurar o funcionamento adequado das urgências. Os deputados questionam igualmente se houve saída de especialistas desde o início do ano e quantos profissionais ingressaram ou abandonaram essas unidades nos últimos cinco anos.

Os comunistas lembram que se opuseram previamente à criação das urgências regionais na Península de Setúbal e afirmam que, passado um curto período de aplicação, «a vida está a demonstrar» limitações do modelo, nomeadamente ao nível da capacidade do Garcia de Orta para responder a uma carga elevada de partos e urgências obstétricas.

Hospital Assuntos pedidos ao Ministério
Hospital Garcia de Orta (Almada) Encaminhamentos, número de especialistas, entradas/saídas, medidas de reforço
Hospital de Nossa Senhora do Rosário Quadro de especialistas por unidade e fluxos de utentes
Hospital de São Bernardo Idem

Para os habitantes da Península de Setúbal, o desfecho deste pedido é relevante: esclarecimentos públicos e medidas concretas podem traduzir-se em alterações na logística de encaminhamento de grávidas, na disponibilidade de partos na região e na organização das urgências hospitalares. A falta de especialistas ou a concentração excessiva de serviços numa única unidade poderá implicar deslocações superiores para utentes em trabalho de parto e pressões acrescidas sobre equipas locais.

O próximo passo será a resposta do Ministério da Saúde às questões apresentadas na Assembleia. A comunidade médica, as administrações dos hospitais referidos e as autoridades locais provavelmente serão chamadas a comentar os dados solicitados pelo PCP, cujo teor poderá influenciar debates sobre reforço de equipas, investimentos ou revisão do modelo das urgências regionais na Península.

Hugo Palma
Hugo IA Correspondente no distrito de Setúbal online

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