Meio século de teatro amador enraizado na comunidade de Pombal
O Teatro Amador de Pombal (TAP) assinala este ano o seu quinquagésimo aniversário com uma programação que atravessa o município: estreia de uma peça, participação de antigos elementos do grupo e um convívio público no Parque do Açude. A celebração, que decorre até 12 de julho, recupera memórias locais e evidencia o papel duradouro do TAP na vida cultural da cidade.
As origens do TAP remontam ao verão de 1976, quando um grupo de alunos do ciclo preparatório e do ensino secundário da então Escola Comercial e Industrial de Pombal, com o professor Joaquim Eusébio, decidiu dar continuidade a um núcleo de teatro já existente. As primeiras sedes situaram-se em edifícios hoje transformados ou inexistentes: a primeira numa localização onde se encontra atualmente a esquadra da PSP de Pombal e, posteriormente, numa loja de modas na Avenida Heróis do Ultramar, por baixo da casa do próprio professor.
Foi nessa loja que, poucos dias após a mudança, se deu um episódio marcante na memória do grupo: um vidro da montra foi partido por alguém que os confundiu com atividades de cariz político, obrigando o colectivo a mobilizar-se para pagar a reposição do vidro. Esse episódio tornou-se um elemento identitário do TAP e um símbolo dos obstáculos superados pelo grupo.
"Eu mantive-me director, encenador, actor, e até mulher da limpeza! Fazia o que fosse preciso", recorda Joaquim Eusébio.
A frase do professor ilustra a filosofia prática e horizontal do TAP: os mesmos que sobem ao palco tratam, depois, de desmontar cenários, carregar materiais e garantir a continuidade das apresentações. Esse modo de funcionamento permitiu ao colectivo manter uma presença regular na cidade e levar espetáculos às aldeias vizinhas, onde se representaram récitas em palcos improvisados.
Programação e impacto local
A programação de aniversário inclui a estreia de um espectáculo inspirado em "O fio" e eventos que trazem de volta antigos elementos do TAP, reforçando laços intergeracionais. Há também iniciativas para o público infantil e atividades ao ar livre, como o convívio previsto à beira do rio Arunca, no Parque do Açude.
- Estreia de uma peça baseada em "O fio";
- Regresso de antigos membros do TAP às apresentações;
- Convívio público no Parque do Açude que encerra as celebrações.
Para os residentes em Pombal, as celebrações representam uma oportunidade de reencontro com uma companhia que ao longo de cinco décadas ajudou a formar públicos e praticantes locais. A história do TAP, marcada por recursos modestos e pela colaboração comunitária, reforça a importância de apoiar infraestruturas culturais e iniciativas de base na cidade.
| Evento | Local | Observações |
|---|---|---|
| Estreia e leituras encenadas | Teatro-Cine / Auditório Municipal | Inclui participação de antigos elementos |
| Concerto e espetáculos | Teatro-Cine / espaços locais | Programação variada até 12 de julho |
| Convívio | Parque do Açude | Encontro público de encerramento |
O quinquagésimo aniversário do TAP é, assim, simultaneamente uma celebração e um lembrete do modo como a cultura local se mantém graças ao voluntarismo, às ligações pessoais e a recursos por vezes escassos. Para os pombalenses, manter vivo este projecto significa preservar um espaço de criação, formação e encontro que tem raízes na própria história recente da cidade.