Portugal participa na Conferência Ministerial pela Cultura Palestiniana, marcada para 14 a 16 de julho em Madrid, com encontros a decorrer em três museus de referência: o Museu do Prado, o Centro Nacional de Arte Rainha Sofia e o Museu Thyssen-Bornemisza. O evento reúne mais de 30 delegações entre ministros, secretários de Estado, embaixadores e representantes de organizações culturais internacionais.
Objectivos e agenda
A organização apresenta a conferência como uma plataforma para articular medidas de apoio “urgente e sustentado” à reconstrução cultural da Palestina. Serão abordados seis eixos temáticos principais: a avaliação dos danos sofridos, a proteção do património, o papel das artes e da literatura, o cinema palestiniano, a transformação digital e as estratégias para a transformação do setor cultural. A intenção explícita é passar do diagnóstico para a ação, mobilizando recursos e coordenação internacional.
- Datas: 14–16 de julho
- Locais: Museo del Prado, Reina Sofía e Thyssen-Bornemisza
- Participantes: ministros, secretários de Estado (incluindo Portugal), UNESCO, Liga Árabe e outras delegações
Discursos de abertura e mensagens centrais
Na apresentação pública do encontro, o ministro da Cultura de Espanha sublinhou que a realização do evento em Madrid não deverá ser normalizada como regra, defendendo que se trabalhe para que uma edição futura tenha lugar em território palestiniano. A cerimónia de inauguração, prevista para 15 de julho no Museu do Prado, contará com a presença de várias figuras do panorama cultural e institucional, incluindo o realizador palestiniano Basel Adra, o subdiretor de Cultura da UNESCO, Nayef Al-Fayed, e o ministro da Cultura da Palestina, Emad Hamdan.
“No governo de Espanha trabalhamos para que a segunda edição se realize na Palestina.”
O ministro palestiniano presente realçou a dimensão simbólica e prática do encontro, afirmando que “qualquer genocídio implica um genocídio cultural”. Em paralelo, o embaixador da Palestina em Espanha denunciou a intenção israelita de destruir a cultura palestiniana, afirmando que centros culturais, bibliotecas e universidades na Faixa de Gaza foram alvo de destruição deliberada.
Implicações e próximos passos
A conferência pretende congregar ministérios e entidades culturais para desenhar percursos de intervenção concretos, incluindo mecanismos de financiamento, salvaguarda e recuperação do património, bem como iniciativas de apoio às artes e à indústria cultural palestinianas. A presença de delegações nacionais e de organismos internacionais pode potenciar acordos de cooperação técnica, linhas de apoio e projectos conjuntos focados na preservação do legado cultural e na reconstrução de infraestruturas culturais.
| Data | Local | Eventos-chave |
|---|---|---|
| 14 de julho | Vários museus | Início da conferência |
| 15 de julho | Museo del Prado | Inauguração oficial com intervenções públicas |
| 16 de julho | Programação paralela | Workshops e definição de medidas |
Para Portugal, a participação enquanto representante governamental integra-se numa agenda internacional que procura articular resposta cultural a crises humanitárias e a destruição de património. A conferência servirá igualmente para elevar o debate sobre a proteção de infraestruturas culturais em contextos de conflito e para explorar como as comunidades artísticas e as instituições podem contribuir para processos de reconstrução e memória.